WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Governo de SP errou no processo de retomada econômica, diz especialista da USP

Nessa quarta, o Estado teve recorde de óbitos confirmados pela doença, com 340 registros

Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - A gestão João Doria (PSDB) decidiu nessa quarta-feira, 10, que as cidades das regiões de Barretos e Presidente Prudente, no interior paulista, terão de adotar regras mais rígidas de isolamento social por causa do aumento de casos de coronavírus. Em um movimento oposto, a Grande São Paulo, a Baixada Santista e a região de Registro (Vale do Ribeira) terão a primeira flexibilização autorizada. Nessa quarta, o Estado teve recorde de óbitos confirmados pela doença, com 340 registros. 

Na opinião de Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o governo paulista errou no processo de retomada econômica. Na opinião do especialista, a abertura no interior do Estado ocorreu antes do que deveria. 

“Já existia indicação de aumento de casos em cidades como Campinas, Ribeirão Preto e Presidente Prudente. Mas a pressão foi grande para abrir. Não havia nenhum indicador mostrando que era hora de abrir, ao contrário.” 

Ainda segundo Lotufo, diferenciar as zonas de flexibilização entre a capital e a Grande São Paulo foi outra falha, por se tratar da mesma mancha urbana. “Em locais como a (Rua) 25 de Março (no centro paulistano), por exemplo, as pessoas estão correndo risco.”

Para o professor Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, o Estado não está seguindo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) para iniciar o afrouxamento da quarentena. As diretrizes determinam que o número de casos e mortes por covid-19 diminua de modo sustentável por, no mínimo, duas semanas. 

“Uma reabertura mais segura tem de seguir as evidências coletadas no mundo inteiro. Itália e Alemanha fizeram isso. Não há nenhum país que trabalhou com quarentena e relaxamento de mobilidade simultaneamente”, destaca Alves, que faz parte do grupo de monitoramento Covid-19 Brasil.

Ele ainda alerta que, com o comércio aberto na capital, o transporte público será grande foco de transmissão. “Não se pode garantir controle de transmissão com gente dentro do ônibus.”

A Prefeitura de São Paulo tem enfrentado dificuldades nos últimos dias para garantir que só circulem ônibus com passageiros sentados, para evitar aglomerações. O prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que o secretário municipal de Transportes, Edson Caram, tem até o fim da semana para fazer com que as empresas de transporte público sigam as recomendações sanitárias. 

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