Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

SP espera liberação da Coronavac e diz que pode vacinar todas as crianças de 3 a 11 anos em 10 dias

Instituto Butantan enviou mais estudos e documentos para a Anvisa; gestão Doria tem 12 milhões de doses já disponíveis para aplicação

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2022 | 13h16

O governador João Doria (PSDB) espera para ainda nesta semana a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da aplicação da Coronavac em crianças com idade entre 3 e 11 anos. O Estado tem 12 milhões de doses da vacina contra a covid-19 produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac prontas para utilização pelos 645 municípios paulistas. Doria também pediu dados à Vigilância Sanitária sobre a capacidade de vacinação no Estado. Segundo lhe foi informado, o órgão espera vacinar até 300 mil crianças por dia, cumprindo a meta de atender 3 milhões de crianças entre 3 e 11 anos em dez dias.

Conforme informou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, serão encaminhados à agência ainda na tarde desta segunda, 10, estudos desenvolvidos pela Universidade Católica do Chile que mostram eficácia e segurança da Coronavac no público com mais de 3 anos. Segundo Covas, a expectativa é grande para a resposta ao novo pedido do instituto - em agosto de 2021, o governo paulista teve negada a primeira solicitação feita neste sentido.

"Estamos prontos para iniciarmos a vacinação imediatamente a partir do aval da Anvisa", disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. Até agora, o imunizante da Pfizer é o único aprovado para crianças e adolescentes (5 a 17 anos) no Brasil. Para a faixa menor de 12 anos, porém, a aplicação ainda não foi iniciada. 

Assim como fez com o início da vacinação de adultos,  há quase um ano, Doria corre para iniciar a vacinação de crianças antes do governo federal, que promete entregar doses infantis da Pfizer na sexta-feira, 14, cerca de um mês após a liberação do imunizante pela Anvisa. Apesar da compra e da promessa de distribuição, o governo Jair Bolsonaro tem manifestado resistência à aplicação da vacina entre os mais novos, embora haja recomendação dos cientistas e entidades médicas. 

Diferentemente de Bolsonaro e do próprio Ministério da Saúde, o diretor-presidente da Anvisa. Antonio Barra Torres, é enfático na vacinação infantil. Antes alinhado às práticas e discursos bolsonaristas, o médico militar reformado da Marinha rompeu publicamente com o presidente na semana passada, quando foi acusado de ter "interesses" na imunização. Em carta pública, o almirante pediu retratação de Bolsonaro em tom desafiador. 

“Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa, aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que, com orgulho, eu tenho o privilégio de integrar”, disse.

O militar deu tom desafiador e pessoal à nota, assumindo para si uma insinuação que Bolsonaro fez genericamente à Anvisa. Na assinatura e no texto, destacou o cargo militar de alta patente e o elo com a Marinha do Brasil, reproduzindo um comportamento comum nas Forças Armadas de tentar preservar a imagem pública da instituição e de sair em defesa dos "comandados", o que tem lhe rendido apoio internamente na agência.

Durante reunião do secretariado paulista nesta segunda-feira, 10, Dimas Covas informou que o Chile já vacinou 1,4 milhão de crianças e adolescentes de 3 a 17 anos com a Coronavac e em segurança. Segundo ele, com a entrega dos dados solicitados, "não existirão mais pendências" para a autorização solicitada. "A Anvisa está num momento propício em relação à Coronavac para a faixa etária dos 3 anos ou mais. Esperamos para essa semana a autorização", acrescentou o diretor do Butantan.

 

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