Governo de SP oferece ajuda ao Rio no combate à dengue

Serra oferece leitos no Emílio Ribas, Cândido Fontoura e Darcy Vargas; pediatras de SP podem ir para o Rio

Elizabeth Lopes, Agência Estado

02 de abril de 2008 | 16h55

O governo do Estado de São Paulo está oferecendo auxílio ao governo do Rio de Janeiro no combate à epidemia da dengue. A oferta inclui a disponibilização de 200 leitos nos hospitais da Capital, Emílio Ribas, Cândido Fontoura e Darcy Vargas, e a realização de 100 mil exames laboratoriais. "Fizemos a oferta hoje (nesta quarta) e estamos aguardando resposta do governador do Rio, Sérgio Cabral", destacou o governador paulista José Serra, após participar do lançamento de um pacote de ações para a ampliação do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo. Acompanhe o avanço da dengue Além das ofertas de realização de exames e dos leitos hospitalares, Serra destacou que sua administração também está avaliando a possibilidade de disponibilizar médicos pediatras para atuarem nas áreas críticas do Estado do Rio de Janeiro. Nesse sentido, as diretorias de hospitais da Capital, como Clínicas e Santa Casa, farão uma reunião ainda hoje e se a idéia for aprovada, pediatras que atuam nessas unidades poderão ser cedidos temporariamente para atuarem no Rio. Serra disse que se houver esse intercâmbio, os médicos destacados não terão os dias descontados no Estado e ainda irão receber pelo governo do Rio de Janeiro. O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, disse que a oferta feita pelo governo de São Paulo inclui também o pagamento dos custos dos eventuais exames que poderão ser feitos para detectar os casos de dengue. De acordo com Roberto Barradas, cada exame custa, em média, R$ 30, portanto, o custo total (dos cem mil exames oferecidos ao Estado do Rio de Janeiro) de R$ 3 milhões será bancado pelos cofres públicos paulista. Temporão O governador José Serra também defendeu o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, dizendo que não concorda com o apelido que ele ganhou de "ministro da dengue". Na defesa de Temporão, o governador paulista disse que não tinha conhecimento de qualquer redução nos recursos federais destinados para o combate à dengue no País e que o enfrentamento deste problema é muito complexo porque depende também da colaboração das famílias e não apenas das ações do governo. Ao falar da redução dos casos de dengue no Estado, de 97,1% nos três primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, Serra disse que mesmo com este resultado, seu governo continuará enfrentando o problema e atuando de forma preventiva. "Estamos reforçando o trabalho da brigada de técnicos (cerca de 20 mil pessoas) e também do grupo especializado nas áreas de maior risco. Não podemos nos basear apenas nos bons resultados porque o trabalho de combate à dengue deve ser feito no cotidiano, mobilizando as famílias", reiterou. SUS O programa anunciado pelo governador José Serra, o pacote "20 anos em 1" para o SUS, é um conjunto de ações que serão executadas em comemoração aos 20 anos da implantação do Sistema Único de Saúde. Para colocar o programa em prática, a secretaria de Saúde vai investir cerca de R$ 600 milhões na execução de 20 programas de ampliação e melhoria do atendimento, incorporação de tecnologias, controle de doenças, investimento e ampliação da rede e formação e capacitação de recursos humanos. Dentre as ações, destacam-se a ampliação da rede de oncologia e a inauguração do primeiro Centro de Referência de Saúde do Homem. O Programa Qualis de Saúde da Família vai se chamar a partir de agora "Qualis Mais" e com uma injeção de investimentos de R$ 60 milhões, vai ampliar o número de municípios atendidos em cerca de 300%, passando dos atuais 99 para 402. Outro programa que está sendo lançado é o "Alô, Doutor!", um serviço de orientação por telefone que terá profissionais de saúde treinados para receber chamadas telefônicas de usuários que precisam, por exemplo, de orientação clínica ou especializada. O primeiro serviço será instalado na Baixada Santista. Apenas no ano passado, a rede credenciada ao SUS no Estado realizou 2,3 milhões de internações, 745 milhões de atendimentos, 26 milhões de doses de vacinas e 5.960 transplantes.

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