Marcelo Chello/CJPress
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Governo de SP quer alteração em regras de isolamento previstas pelo governo federal

Secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que São Paulo vai pedir alteração na portaria do Ministério da Saúde que solicita o isolamento de pessoas que confirmadamente tiveram contato com pessoas infectadas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 14h02

SÃO PAULO - Após a confirmação da contaminação pelo novo coronavírus pelo infectologista David Uip, chefe do centro de contingenciamento do Covid-19 do governo de São Paulo, a gestão João Doria quer alteração na regulamentação das regras de isolamento previstas pelo governo federal para o combate à doença. 

O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que São Paulo vai pedir alteração na portaria do Ministério da Saúde que solicita o isolamento de pessoas que confirmadamente tiveram contato com pessoas infectadas.  “O centro de contingência esteve reunido a manhã toda e estamos alinhados com o Ministério da Saúde para estabelecer uma revisão da portaria desta regra, porque existe uma portaria que nós consideramos maior do que esta", disse Germann. 

"Os profissionais de saúde têm a obrigação e têm a missão de tratar os pacientes e por isso nem aqueles acima de 60 anos de idade foram dispensados do trabalho. Todos eles estão trabalhando, todos eles estão exercendo suas funções normalmente. Então, não é agora a partir de uma questão específica do exame que nós vamos colocar os serviços em risco de colapso por causa disso”, continuou.

“Uma série de pessoas que tiveram contato com pessoas positivas passam então agora a não trabalhar? Isso pode ser para o público em geral, não para os profissionais de saúde. Então, estamos fazendo essa revisão, estamos alinhados com o ministério, e até amanhã teremos uma determinação nova", concluiu o secretário.

Uip teve contato direto com outros secretários da gestão Doria, com assessores técnicos e jornalistas. Parte desses profissionais, segundo determinações de saúde, decidiu cumprir isolamento domiciliar para que, caso tenham sido infectados e não apresentarem sintomas, não contaminem outras pessoas. Mas o governo não encaminhou para o isolamento profissionais que tiveram contato com Uip, não foram testados e não são da área da saúde.  

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Até a semana passada, o governo vinha se posicionando contra a determinação da Organização Mundial de Saúde de testar o máximo de pessoas possível. Uip afirmou que havia “o mundo ideal e o mundo real”, em que no segundo não era possível fazer tantos testes. Após uma pessoa que não estava na lista de casos suspeitos morrer pelo novo coronavírus, São Paulo mudou o discurso. Nesta segunda-feira, Doria anunciou esforços para a realização de até 2.000 testes por dia. 

“Não há necessidade de quarentena. Fizemos o que tínhamos de fazer, o teste. Eu, o doutor Germann, que aqui está, Bruno Covas que fez pela manhã e todos aqueles que tiveram contato com o doutor David Uip, mas não há necessidade de quarentena", afirmou Doria.

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