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FELIPE RAU/ESTADÃO
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SP volta para fase vermelha na segunda e escolas podem reabrir com 35% dos alunos

Governo decidiu sair da fase emergencial apesar da recomendação do centro de contingência de permanência por causa da gravidade da pandemia; nova etapa vai até o próximo dia 19

Renata Cafardo, Pedro Venceslau e João Ker, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 09h53
Atualizado 09 de abril de 2021 | 15h34

O governador João Doria (PSDB) decidiu que o Estado vai para a fase vermelha a partir da segunda-feira, 12, apesar de o centro de contingência, que reúne especialistas da saúde, ter recomendado em reunião na quinta-feira à noite que São Paulo continue na fase emergencial. A nova etapa do Plano São Paulo vai até o dia 19, como o Estadão adiantou. A mudança foi detalhada em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, 9.

Na prática, a mudança libera escolas públicas e particulares para abrir na segunda-feira. O governo vai manter o toque de recolher entre as 20 horas e 5 horas. A vacinação dos professores também foi adiantada para este sábado, 10. E a de idosos com 67 anos, para o dia 12.

Os bares e restaurantes poderão a voltar a realizar o take away, ou seja, permitir que os clientes retirem produtos no local. Mas ainda serão proibidos os cultos religiosos e recomendado o teletrabalho. As lojas de material de construção serão autorizadas a abrir. Já o restante do comércio, como os shoppings, podem funcionar somente com o drive-thru (entrega por automóveis) ou para delivery (compra online e entrega). Os clientes não podem circular dentro das lojas.

Também ficam permitidos os campeonatos esportivos profissionais a partir das 20h, com testagens e protocolos sanitários, mas sem torcida presencial. 

Números que mostram a desaceleração da ocupação de leitos de UTI, abaixo de 89%, justificariam a tese de integrantes do governo. Segundo fontes, há ainda a intenção do governo de dar mais esperança e perspectiva para os setores fechados, como o comércio. Já os cientistas acreditam que os números são ainda altos demais para uma evolução e que ela passaria uma mensagem à população de que já se pode relaxar.

Com a fase vermelha, as escolas públicas e particulares podem voltar a receber 35% dos alunos por dia. A orientação do secretário de Educação Rossieli Soares é para que o foco principal da reabertura esteja na educação infantil. Na rede estadual, os dias 12 e 13 serão dedicados à orientação de pais, alunos e da comunidade escolar, e de que as aulas presenciais retornem no dia 14.

Nesse período, o acolhimento presencial nas escolas também tem como foco receber os alunos “que mais precisam”, dentre os quais o Estado lista aqueles com dificuldade de aprendizagem, de acesso à tecnologia, com necessidade de alimentação, com saúde mental sob risco e cujos pais trabalhem em serviços essenciais. Ele citou um estudo da Universidade de Zurich e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, de acordo com o qual a abertura de escolas nas cidades paulistas não teria impactado o avanço da pandemia no Estado.  

Apesar de já poderem abrir na fase emergencial, porque um decreto estadual definiu educação como setor essencial, muitos prefeitos barraram as escolas nesta etapa mais crítica da pandemia. Na capital paulista, o prefeito Bruno Covas já havia autorizado a volta na segunda-feira se o Estado saísse da fase emergencial.

“A medida tomada nesta manhã, em diálogo com o Centro de Contingência, mostra claramente que a fase emergencial começa a dar resultados”, justificou o vice-governador Rodrigo Garcia. De acordo com Paulo Menezes, coordenador do Centro, a projeção do governo estadual é a de que algumas regiões possam regredir para a fase laranja, que prevê a abertura seletiva do comércio, a partir do final do mês, na transição entre abril e maio. Já a expectativa é de que a média de mortes diárias pela covid comece a diminuir a partir do próximo dia 15. "Não estamos entendendo isso como um relaxamento, mas como um avanço em relação às medidas emergenciais da fase emergencial. Elas são tomadas com base nos dados, na ciência, mas principalmente nas projeções", afirmou Garcia. 

Os índices utilizados por ele para fundamentar a regressão à fase vermelha são o aumento da vacinação no Estado, que teve o envase da Coronavac temporariamente paralisado este mês; a ampliação de leitos de UTI, que mesmo após a abertura de 6,5 mil novas vagas nos últimos 90 dias se manteve com taxa de ocupação acima dos 90% no início desta semana, chegando hoje a 88,3%; e o aumento do isolamento social, que ainda na quarta-feira, 7, estava em apenas 44%, bem abaixo do ideal de 60% almejado pelo governo.

Durante a coletiva, os representantes do governo estadual foram unânimes em negar que o retrocesso da fase emergencial para a vermelha signifique um "relaxamento" das medidas de restrição, mas sim um "avanço" nos índices citados acima. "Não significa que estamos saindo de um momento de emergência da pandemia", afirmou Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde. 

Escolas particulares e públicas se preparavam esta semana para a volta, mandando pesquisas sobre adesão ao presencial aos pais. A secretaria municipal de educação também fez o mesmo para poder abrir sua rede segunda. Redes e famílias ainda esperavam a decisão do governador desta sexta-feira.

A fase emergencial começou no Estado em 15 de março, dias depois de ser decretada a fase vermelha, porque houve piora nos números de casos, óbitos e risco de colapso no sistema de saúde por lotação de enfermarias e UTIs. Nesta sexta-feira, o Estado registrou 1.008 mortes pela covid nas últimas 24 horas, chegando ao total de 81.750 vidas perdidas para a doença. No mesmo período, foram registrados 20.701 novos testes positivos, totalizando 2.618.067 pessoas infectadas desde o início da pandemia. 

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