Stefan Sauer/AP - 16/12/21
Stefan Sauer/AP - 16/12/21

Governo de SP tenta compra direta de vacinas da Pfizer para crianças

Apesar de ter o mesmo princípio ativo dos imunizantes aplicados em adultos, formulação pediátrica tem dosagem menor e deve atender a outras especificações; ainda não há previsão de início da vacinação do público de 5 a 11 anos no País

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2021 | 10h40

SÃO PAULO – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), autorizou o governo do Estado a iniciar negociação com a Pfizer para adquirir a vacina contra covid-19 destinada a crianças. Apesar de ter o mesmo princípio ativo dos imunizantes aplicados em adultos, a formulação pediátrica tem uma dosagem menor e deve atender a outras especificações. O início da vacinação de crianças, portanto, fica condicionado à entrega de vacinas adaptadas ao Brasil, mas ainda não há previsão de quando isso irá ocorrer.

Na manhã desta quinta-feira, 16, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina da Pfizer no público de 5 a 11 anos. A inclusão do novo grupo foi publicada no Diário Oficial da União na tarde do mesmo dia. Com esse registro, o Ministério da Saúde está liberado para iniciar a aplicação de imunizantes em crianças – o que já é feito em grande parte dos países. O ministério, no entanto, ainda não deu prazo para começar a imunização dessa faixa etária.

Com isso, sob autorização de Doria, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo encaminhou ainda nesta quinta um ofício à Pfizer comunicando o interesse do governo do Estado em adquirir as doses e agilizar o processo. A gestão paulista enviou ainda um outro ofício, desta vez ao Ministério da Saúde, solicitando liberação e disponibilização imediata de doses para imunização de crianças.

O envio dos documentos aconteceu após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ter afirmado que não haverá vacinação para crianças em 2021. Segundo ele, até agora não há reserva de doses nem previsão de data para início da imunização do grupo. “É preciso ser feita uma análise”, disse Queiroga.

Conforme mostrou o Estadão, o Brasil ainda não tem em solo nacional as chamadas doses pediátricas da vacina da Pfizer, uma vez que a vacinação de crianças não estava aprovada pela Anvisa até então.

Ainda assim, a farmacêutica explicou que o terceiro contrato firmado com o governo brasileiro, que permitirá o fornecimento de 100 milhões de imunizantes anticovid no ano de 2022, inclui a possibilidade de entrega de versões para diferentes faixas etárias. A disponibilização depende do que for solicitado pelo Ministério da Saúde.

Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que aguarda posicionamento do ministério quanto à aquisição da vacina pediátrica e à inclusão do imunizante no Plano Nacional de Operacionalização (PNO). Além disso, manifestou apoio às iniciativas que garantam ao público de 5 a 11 anos o acesso urgente à imunização.

Apesar de ter apoio do Conass e de outras entidades de saúde e especialistas, a vacinação de crianças enfrenta resistência do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus apoiadores.

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