Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Governo discute nesta segunda-feira fechamento da fronteira de Roraima com Venezuela

Pedido foi apresentado pelo governador de Roraima; ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública estariam a favor do fechamento

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2020 | 16h58

BRASÍLIA - O governo federal realiza nesta segunda-feira reunião para discutir o pedido apresentado pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), na semana passada, para que a fronteira da Venezuela seja fechada no seu Estado, como antecipou o Estadão/Broadcast. O assunto é considerado delicado e divide opiniões.

Conforme apurou o Estado, os ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública estariam a favor do fechamento, para evitar a ampliação dos problemas no Estado, que sofre com a superlotação de seus hospitais, e chegada constante de imigrantes, por causa da falta de recursos do país vizinho. Os militares, por sua vez, embora reconheçam as dificuldades e preocupações do governador, advertem sobre a complexidade da medida, que poderia acabar se mostrando inócua, dado o tamanho da fronteira e a sua porosidade.

Militares ouvidos pela reportagem alertam que, com a fronteira aberta, é possível haver um controle por parte das autoridades brasileiras sobre quem entra e quem sai, inclusive uma avaliação da situação sanitária dos imigrantes. Eles avaliam que, fechando a fronteira, as pessoas passariam a buscar as inúmeras trilhas e continuariam a entrar no Brasil em busca de ajuda, só que sem nenhum tipo de controle porque os caminhos são inúmeros.

Na reunião desta segunda-feira, prevista para ser realizada no Palácio do Planalto, deverão comparecer representantes da Saúde, Casa Civil, Secretaria-Geral, Secretaria de Governo, Gabinete de Segurança Institucional, Infraestrutura, Relações Exteriores, Economia, Defesa, Justiça e Segurança Pública, Economia, Agricultura, Comunicação Social e Anvisa.

Há informações, não confirmadas ainda pelo governo, de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro estaria sinalizando o fechamento de suas fronteiras.

Apesar das queixas das autoridades de Roraima em relação a problemas de superpopulação no Estado, com a chegada de imigrantes venezuelanos, que lotam hospitais e escolas, um dado surpreendeu as autoridades federais. Segundo elas, o PIB do Estado de Roraima teria crescido 4,5%, muito superior ao registrado no resto do País, que foi de 1,1%. A avaliação é de que esse dado positivo se deve, principalmente, a esse forte comércio entre os dois países, em decorrência da escassez de todo tipo de produto da Venezuela.

A Colômbia, outro país vizinho da Venezuela, já começou a adotar medidas restritivas a entradas de estrangeiros. Os colombianos sofrem muito mais com a migração de venezuelanos do que o Brasil, principalmente pela facilidade da língua e pela quantidade de cidades fronteiriças. O presidente da Colômbia, Iván Duque, decretou o fechamento das sete passagens de fronteira terrestres ao longo da fronteira de 2.200 km com a Venezuela a partir de ontem, sábado, dia 14 de março. Além de anunciar o fechamento da fronteira com a Venezuela, Colômbia restringiu a entrada de estrangeiros que estiveram na Europa e na Ásia nos últimos 14 dias, como medidas para deter a epidemia do novo coronavírus.

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