Governo elabora plano de acompanhamento de bebês com microcefalia

Segundo secretário, a preocupação maior será realizar a identificação de bebês com a malformação o mais rápido possível

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 16h00

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde já desenhou o protocolo que será usado para o acompanhamento de gestantes com suspeita de zika vírus e de bebês com diagnóstico de microcefalia. Além de um manual sobre as condutas que devem ser adotadas por equipes de saúde, o governo prepara o mapeamento dos serviços disponíveis para atendimento dos bebês e de familiares. 

Em entrevista ao Estado, o Secretário de Atenção à Saúde da pasta, Alberto Beltrame, afirmou que a preocupação maior será realizar a identificação de bebês com a malformação o mais precocemente possível e encaminhá-los para acompanhamento. "Para gestantes, os procedimentos não devem mudar. A recomendação principal é que mulheres não faltem às consultas de pré-natal", disse. A frequência na realização de exames de ultrassom não será alterada, disse. 

"O principal é que essas mulheres sejam acompanhadas. Nada muito diferente disso pode ser feito", completou. A ênfase será dada a partir do diagnóstico da malformação no bebê, feita no nascimento ou ainda durante a gestação, por meio do exame de ultrassom.

"Estamos diante de um problema de grandes dimensões. O impacto é grande, tanto para os serviços de saúde quanto para familiares das crianças", contatou o secretário. Depois do nascimento e identificada a malformação por meio da medição do perímetro cefálico, o bebê deverá ser encaminhado para a realização de uma tomografia. O exame é feito sobretudo para avaliar os danos provocados pela malformação. A microcefalia é uma síndrome que até agora era considerada rara. Justamente por isso, o número de profissionais com capacitação para o acompanhamento e diagnóstico dessas crianças não é alto.

Bebês com a malformação apresentam um perímetro cefálico inferior a 33 centímetros. O problema, no entanto, não reside na dimensão da cabeça, mas no cérebro do bebê, que também é afetado. "Há uma atrofia do córtex. A extensão do dano varia de caso a caso." Cerca de 90% dos bebês apresentam deficiência mental. A síndrome também causa problemas na visão, audição e locomoção e aumenta de forma significativa os riscos de convulsão.

O secretário garante que, no momento, o acesso a tomografias para realização do teste de confirmação da microcefalia não é problema. "Há um número significativo de serviços no SUS que realizam o exame. No caso de o bebê nascer numa cidade que não dispõe do aparelho, será providenciada a transferência do bebê para realização do diagnóstico em outro local", completou. Neste momento, o Ministério da Saúde está fazendo a identificação de serviços de  referência para os quais os bebês com a confirmação da microcefalia devem ser encaminhados. 

Também está prevista a oferta de serviços de acompanhamento psicológico para pais dos bebês. Beltrame avalia que será preciso fazer uma capacitação de profissionais para identificar os casos de microcefalia e para prestar atendimento aos pacientes. "O número de serviços existentes, no primeiro momento, será suficiente. Mas é preciso dar uma orientação específica para o tratamento dos bebês." 

Caso os serviços da rede pública sejam insuficientes, pacientes serão encaminhados também para uma rede de associações especializadas em prestar atendimento a crianças com deficiência. O acompanhamento dos bebês começa logo nos primeiros dois meses de vida, contou Beltrame. "Eles necessitam de um cuidado específico. Há maior risco, por exemplo, de eles se asfixiarem." As ferramentas técnicas existentes para o tratamento de bebês com a síndrome são limitadas. A palavra-chave, na avaliação de Beltrame, é estimulação. Ela começa no segundo mês de vida e pode ser feita pelas pessoas mais próximas do bebê. Com o passar do tempo, crianças necessitam de acompanhamento especializado com fisioterapeutas e fonoaudiólogos. 

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