Governo não aceita redução da jornada dos peritos médicos do INSS em greve

Categoria vai se reunir nesta quinta-feira para decidir os rumos da paralisação em todo o País

Agência Brasil

23 de agosto de 2010 | 19h31

RIO DE JANEIRO - O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, disse nesta segunda-feira, 23, que não vai negociar a redução da jornada de trabalho dos peritos médicos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em greve há dois meses. Os peritos vão se reunir nesta quinta-feira, 26, para decidir os rumos da greve.

"A Associação [Nacional dos Médicos Peritos - ANMP] exige a redução da jornada sem redução de salário. Isso não é possível", afirmou Gabas, ao informar que "a pasta atendeu a 99% das reivindicações da categoria", incluindo ampliação do tempo de atendimento.

De acordo com o ministro, foi proposto que em 6 das 8 horas da jornada diária os médicos cumpram uma média de 18 perícias de cerca de 20 minutos cada e, nas duas horas restantes, outras atividades especificadas pelo chefe da seção. A categoria, no entanto, pede redução para 12 perícias por dia e duas horas sem controle de ponto para atividades externas.

"Não concordamos com a mensuração do tempo. Para atender bem, é preciso ampliar para 30 minutos o tempo de uma perícia. Isso nas 6 horas com controle de ponto e, nas demais, atividades como perícia domiciliar, hospitalar e vistorias técnicas", reivindicou o presidente da ANMP, Luiz Carlos Argolo.

Mesmo assim, o ministro da Previdência disse nesta segunda que espera pelo fim da greve em até 15 dias. Ele está negociando "um mutirão" para pôr em dia as 400 mil perícias em atraso. "A exigência que fizemos para atender às reivindicações deles é que se coloque a agenda em dia", afirma.

Para chegar a um consenso, Gabas chamou a Federação Nacional dos Médicos, acreditando que a entidade tem mais representatividade que a ANMP. A categoria, por sua vez, não ficou satisfeita com a mudança. Acusou o governo de "intransigência" e agora cobra a retomada do diálogo.

"Esperamos que o ministro reconsidere a mudança de interlocução para que voltemos a negociar", disse o presidente da ANMP, informando que quase todas as reivindicações da categoria já foram acertadas com o governo.

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