Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Governo quer, por enquanto, reduzir testes da covid-19 só em cidades com transmissão comunitária

A ideia é que estes locais passem a realizar testes para a doença apenas de casos graves em UTI

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 20h18

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde deixará de impor a busca ativa por casos leves de novo coronavírus em cidades com confirmação da transmissão comunitária da doença, ou seja, quando não é mais possível identificar quem infectou quem. 

A ideia é que estes locais passem a realizar testes para a doença apenas de casos graves em UTI.

A estratégia é mais restrita do que aquela prevista pelo governo em seu plano nacional de contingência, que determina reduzir a busca por casos leves no País quando 100 pacientes forem confirmados. O ministério já contabiliza 98.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse nesta sexta-feira, 13, que o plano deve ser alterado, pois o governo deseja observar mais casos da doença antes de decidir parar a busca ativa por pacientes leves no País.  

"(100 casos) Foi um dado empírico que OMS colocou no início da epidemia. Pode ser que chegue a 200, 150 (para reduzir testes no País todo). A gente quer ver um pouco mais a velocidade de transmissão. Precisamos olhar estes números", disse.

Rio de Janeiro e São Paulo já têm circulação comunitária da doença, portanto passam a ser orientados a buscar casos graves do vírus, em vez de buscar testar contatos próximos de quem tem a doença. 

"Hoje estamos deixando de impor (a estes Estados) a necessidade da busca ativa de casos, nos casos leves. Passamos aos graves. E continuamos fazendo identificação de casos leves na rede sentinela", afirmou o secretário-executivo da Saúde, João Gabbardo.

Mitigação

A mudança de orientação do governo federal para o Rio e São Paulo marca a entrada destes municípios na fase de mitigação da doença, quando o objetivo é salvar vidas. 

Nesta etapa, o SUS passa a priorizar testes para novo coronavírus em pessoas com maior risco de desenvolver quadros graves. 

O governo reconhece que, neste modelo, pessoas assintomáticas ou quadros leves podem não ser computados, mas considera a medida mais racional, pois já não é essencial apontar quem passou a doença para quem, mas sim evitar mortes e pressão no sistema de saúde.

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