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Governo recua e decide nomear 1ª colocada em votação na Fiocruz

Escolha inicial da segunda colocada causou crise e motivou reação de funcionários e entidades; Decisão desta terça foi tomada após reunião de ministro com Temer

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2017 | 17h38

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse, na tarde desta terça-feira, 3 que, após uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer e com a presença das pesquisadoras indicadas para assumir o comando da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Tania Cremonini de Araújo e Nísia Trindade, o governo chegou ao "entendimento" de que a pesquisadora Nísia sucederá Paulo Gadelha no comando da instituição.

"Houve conciliação de interesses, de união em torno dos objetivos que estão propostos pela Fiocruz", disse Barros, que trabalhava pela escolha de Tânia no cargo. "Houve um entendimento por parte do presidente que essa era a solução adequada", completou.

A decisão aponta um recuo do governo, diante da reação de funcionários e de entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na semana passada, uma assembleia foi realizada e um abaixo-assinado, organizado. Até esta segunda, haviam sido coletadas 6.400 assinaturas em favor da escolha de Nísia Trindade, a 1.ª colocada na votação. Gadelha fica no posto até 17 de janeiro.

A escolha de Tania pelo ministro da Saúde gerou uma crise, porque viola a tradição de nomear o primeiro colocado das eleições internas da fundação. A vencedora do pleito foi Nísia Trindade, com 2.556 votos, contra os 1.695 obtidos por Tania.

Apesar disso, Barros argumentou que, por se tratar de uma liste tríplice, as duas "tinham mais de 30% de apoiamento e estavam habilitadas" para o cargo. "Conseguimos com um pedido do presidente articular uma solução", afirmou o ministro, que destacou que apesar de Nísia ficar com o comando da instituição a pesquisadora Tania terá participação nos processos da Fiocruz.

Antes de conseguir articular o encontro entre as duas pesquisadoras com o presidente, que não constava na agenda de Temer, Barros reuniu-se pela manhã com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o secretário de Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, para tentar chegar a um consenso em relação à Fiocruz. A conversa entre os três, entretanto, foi inconclusiva, e só no encontro com o próprio Temer é que então o martelo foi batido. 

 

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