Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Governo vai mapear doenças no País através de exames de sangue

Sangue e urina serão coletados de 16 mil pessoas; hoje, avaliação é feita pelo telefone

Luiza Vieira e Mateus Coutinho, especial para O Estado,

16 Outubro 2012 | 23h50

Pela primeira vez, o Brasil vai traçar um perfil da saúde da população com base em exames laboratoriais. O levantamento fará parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), proposta pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, que analisará detalhadamente as amostras de sangue e urina de 16 mil brasileiros para detectar em especial as principais doenças crônicas no País.

O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, será o responsável por organizar as coletas, coordenando as redes de laboratórios para garantir a padronização dos exames. Graças a uma parceria firmada neste ano com o ministério, o hospital deve arcar com os custos da logística envolvendo as coletas em todas as regiões do País, por meio da renúncia fiscal de cerca de R$ 5 milhões.

As 16 mil pessoas que serão submetidas ao hemograma e à coleta de urina integram o total de 80 mil domicílios, divididos em cerca de 1,6 mil municípios, que a PNS deve passar.

Todos os entrevistados responderão a um extenso questionário sobre hábitos de saúde e as condições sociais da população e terão peso, altura e pressão registrados.

“É fundamental entendermos as necessidades da população. O alvo da pesquisa são todas as doenças, com base no que o indivíduo tem feito no dia a dia”, afirma o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, superintendente do Sírio-Libanês.

Para Vecina Neto, o questionário é fundamental para definir as demandas de saúde, além de oferecer um panorama que complemente os bancos de dados já existentes. Ele também ajudará no direcionamento das políticas públicas, de acordo com as necessidades constatadas no inquérito.

 

Logística. O grande desafio do projeto não será a realização do exame, mas sim a logística, segundo o médico. “Precisamos chegar nesses 16 mil brasileiros espalhados pelo País e realizar os exames de forma adequada, com profissionais devidamente treinados.”

Os laboratórios responsáveis pelos exames ainda não foram definidos, mas, de acordo com Vecina Neto, serão dois grandes nomes do setor.

A coleta deve começar a ser feita em março e não há prazo final para a conclusão. Os resultados, que consiste no cruzamento dos dados do questionário com os exames laboratoriais, devem ficar prontos cerca de um ano após o término das entrevistas.

Realizada como um material extra de saúde do Plano Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) entre 2003 e 2008, a PNS deve se tornar um dos estudos oficiais do IBGE a partir de 2013. A expectativa do ministério é de que a PNS seja realizada a cada cinco anos, utilizando a experiência do IBGE no levantamento de dados.

“As dimensões avaliadas no Pnad não eram alteradas no curto prazo. Agora teremos um questionário muito mais amplo, além de incorporar pela primeira vez as medições e os exames de sangue e urina”, destacou o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

Custos. Além dos R$ 5 milhões que serão utilizados pelo Sírio-Libanês para a realização dos exames, estão previstos mais R$ 15 milhões de investimentos por parte do ministério. 

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