Governos europeus não chegam a acordo sobre estratégia contra Ebola

Controle de temperatura, por exemplo, divide países; mesmo assim, OMS acha ‘improvável’ um surto no Ocidente

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2014 | 22h11

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou claro nesta quinta-feira, 16, que um surto de Ebola no Ocidente é “improvável”, enquanto a Europa fracassava em chegar a uma estratégia conjunta para lidar com o vírus. A OMS ainda alertou que iniciativas de governos de tirar a temperatura dos passageiros que chegam a aeroportos apenas dá “uma falsa sensação de segurança”. 

A OMS admitiu que a introdução do vírus no Ocidente é um elemento “de grande preocupação”. “Mas temos confiança de que, na América do Norte e na Europa, onde os sistemas de saúde são fortes, é improvável que vejamos um surto de grandes proporções”, declarou o diretor de estratégia da OMS, Christopher Dye.

Duas enfermeiras foram infectadas nos Estados Unidos e uma na Espanha ao tratar de pacientes vindos da África. nesta quinta, novos casos suspeitos voltaram a ser identificados na Espanha, com quatro novas internações. No aeroporto de Madri, um avião foi isolado depois que um passageiro nigeriano indicou que estava com febre. 

Mas o comissário de Saúde da UE, Tonio Borg, reforçou a visão da OMS. “Teremos casos. Mas as possibilidades de que a doença se propague são escassas”, declarou.

Por mais que o risco seja baixo, a realidade é que os europeus não conseguiram chegar a um acordo sobre como lidar com o vírus. EUA, Reino Unido, República Checa e Canadá estão realizando testes e exames em aeroportos. A partir de sábado, a França adotará o mesmo procedimento, com testes de temperatura ainda no túnel de desembarque. Reunidos nesta quinta, porém, os ministros de Saúde do bloco europeu mostraram divergências. A Bélgica, que mantém quatro voos por semana para a região africana mais afetada, insistiu que não seguiria o mesmo caminho de Paris ou Londres. 

Medidas. “A maioria dos governos europeus não sente a necessidade de adotar essas medidas”, declarou a ministra italiana, Beatrice Lorenzin, que presidia o encontro. “Cada país atuará como considere mais apropriado”, definiu a ministra de Saúde da Espanha, Ana Mato.

Nesta quinta, ministros europeus chegaram a um acordo pelo menos sobre a necessidade de fortalecer a capacidade dos países africanos de controlar quem embarca nos aviões. Os europeus enviarão uma missão para realizar uma auditoria nos aeroportos. Outra medida acertada foi a de unificar questionários de avaliação e compartilhar informações dos passageiros entre os 28 Estados do bloco, na esperança de conseguir mapear onde está cada uma das pessoas de cada voo - caso uma suspeita apareça.

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