Governdo do Estado de São Paulo
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Grande São Paulo já tem 85% dos leitos de UTI ocupados; Estado tem 198 mortes em 24 horas

Governador João Doria diz que Estado está iniciando 'a fase mais dura da doença' ; taxa de isolamento voltou a ficar em 48% nesta terça-feira

Paloma Cotes e João Ker, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 13h11
Atualizado 29 de abril de 2020 | 20h05

SÃO PAULO - A Grande São Paulo já tem 85,1% dos leitos de UTI ocupados diante da crise do novo coronavírus. A informação foi divulgada pelo secretário Estadual da Saúde, José Henrique Germann. No Estado, esse índice é de 68,7%. Mais de 600 novas internações ocorreram desde terça, totalizando 8,6 mil pessoas em atendimento nos hospitais de São Paulo. Hoje, há 3.445 pacientes em UTI e 5.175 em enfermaria.

Balanço divulgado na tarde desta quarta-feira, 29, mostrou que São Paulo teve 198 mortes registradas pela doença em 24 horas. Com isso, o Estado já tem um total de 2.247 óbitos. Entre as vítimas fatais, estão 1.309 homens e 938 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, de acordo com a secretaria Estadual da Saúde.

O Estado tem 26.158 pessoas infectadas pelo novo coronavírus e a doença já chegou a 314 dos 645 municípios paulistas.

Questionado se o Estado está enfrentando um novo momento da doença, o governador João Doria (PSDB) afirmou que sim. "Sim, estamos iniciando a fase mais dura e mais difícil do coronavírus e lamentalvemtne do número de mortes. Não só em São Paulo, mas no Brasil. Estamos enfrentando um vírus que mata e que, infelizmente, não tem medicamento ou vacina. Só tem uma solução: ficar em casa e obedecer o isolamento social", afirmou. 

O governo do Estado anunciou a compra de 3.000 respiradores, que foram adquiridos na China a um custo total de R$ 550 milhões. De acordo com o governo, 500 aparelhos serão entregues ainda esta semana ao Hospitais das Clínicas e, posteriormente, os demais serão encaminhados para outros hospitais da rede estadual na capital e no interior. 

Germann afirmou que essa compra traz um "alívio" para a situação das UTIs. Mas, diante do cenário na Grande São Paulo, disse que pode transferir pacientes para o interior do Estado. "Temos o interior, para onde podemos transferir doentes. Trabalhamos com leitos próprios da secretaria, depois com leitos de hospitais filatrópicos e depois com privados. Vamos seguir esta sequência", disse.  

O secretário voltou a afirmar que, se a taxa de isolamento social subir, o cenário pode ser revertido. Mas disse que uma taxa abaixo de 50% ainda é um "sinal amarelo".

A taxa de isolamento no Estado ficou em 48% nesta terça-feira, 28. O governo vem afirmando que, se essa taxa não for de pelo menos 50%, haverá dificuldade em implementar a flexibilização na quarentena, principalmente na região metropolitana.

De acordo com o governo do Estado, a meta de isolamento é de 60%. O ideal seria 70%, a fim de evitar o colapso do sistema de saúde. 

"Não é um número bom. É um número de alerta. Não há a menor condição de flexibilização com essa taxa, com risco de colapso do sistema de saúde, principalmente na Grande São Paulo", afirmou o governador João Doria. 

Mesmo diante desse cenário, o chefe do Centro de Contigência Contra a Covid-19, David Uip, afirmou que o avanço da doença não surpreendeu os técnicos e que o Estado vem se preparando desde fevereiro. "Está se confirmando o que previmos que podia acontecer. São cenários que foram desenhados e curvas epidemiológicas, o Estado não foi surpreendido. Os hospitais privados foram os primeiros pressionados. No segundo momento, chegou a toda a população. E esse cenário foi desenhado desde fevereiro e, por conta disso, o Estado vem se preparando. E graças a essas medidas (quarentena) conseguimos o achatamento da curva. Estamos postergando o pico, que pode ser uma montanha ou o pico do Everest. Depende muito da participação da população", disse.   

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