Governdo do Estado de São Paulo
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Grande SP tem praticamente 90% dos leitos públicos de UTI ocupados

Números foram divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde nesta quinta-feira, 7. Estado de São Paulo tem 39.928 casos confirmados e 3.206 óbitos pelo novo coronavírus

Paloma Cotes e Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 13h03
Atualizado 08 de maio de 2020 | 17h42

SÃO PAULO - Epicentro do novo coronavírus no País, a Grande São Paulo já tem praticamente 90% dos leitos de UTI públicos ocupados. De acordo com balanço da Secretaria Estadual da Saúde, esse índice é de 89,6% na região metropolitana. No Estado, é de 66,9%. Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, 3.767 pacientes estão internados no Estado em unidades de terapia intensiva.

"Esse é um dado preocupante. Além disso, estamos preocupados com o número de internações e número de altas. Ontem, por exemplo, tivemos mil internações e 600 altas. Essa relação deveria ser muito próxima. Se continuar desta forma, pelo que parece que vai acontecer, vamos entrar em fase complicada", afirmou Geraldo Reple Sobrinho, secretário municipal de Saúde de São Bernardo do Campo e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP).

Estão internados em leitos de enfermaria 5.919 pacientes confirmados com o novo coronavírus.

Os números mostram também um avanço da doença no Estado de São Paulo, com 39.928 casos confirmados, com 2.075 novos casos registrados em 24 horas. E 3.206 óbitos, sendo 161 registrados em 24 horas. 

A situação da doença no interior também foi citada como uma preocupação.  "Não existe região protegida, a onda epidêmica está se espalhando por todo o Estado", afirmou Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantã. 

Interior e isolamento social

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, a cada três dias, 38 novas cidades registram casos de coronavírus. Se esse ritmo se mantiver, até o fim de maio, todos os municípios paulistas (são 645) serão afetados pela doença. "Estamos vendo uma aceleração da epidemia ao mesmo tempo que a taxa de isolamento caiu no interior", disse.

O levantamento, de acordo com o governo, leva em conta a progressão da pandemia no Estado nos últimos 50 dias e aponta que, no início de março, eram registrados casos de infecção pela doença em sete novas cidades a cada três dias. Em abril, a média avançou para 25 novos municípios no mesmo período. Nos últimos 15 dias, a taxa de isolamento caiu no interior paulista, passando de 52% para 47% em média.

No total, 371 dos 645 municípios de São Paulo já possuem registros de circulação do vírus. 

Nesta quarta-feira, o índice foi de 47% no Estado (os dados são referentes a 104 cidades com mais de 70 mil habitantes). A meta do governo é 60% e o ideal é 70%. Esse número, de acordo com as autoridades, é necessário para evitar o colapso do sistema de saúde. Chefe do Centro de Contingência contra a Covid-19, o infectologista David Uip já relacionou o aumento das mortes a uma baixa no isolamento social e vem pedindo insistentemente que as pessoas fiquem em casa, principalmente na região metropolitana de São Paulo e na capital paulista. 

O levantado do governo mostra ainda que, apesar do número absoluto de infectados ainda se concentrar na Grande São Paulo, nos últimos dias a proporção de contágio é quatro vezes maior no interior e no litoral. O vírus esteve restrito à região metropolitana até meados de março, mas avançou desde então e já atinge todas as regiões do estado.

Entre os dias 1 e 30 de abril, a Grande São Paulo passou de 2,7 mil para 24,3 mil casos, com crescimento de 770%, segundo os dados. No mesmo período, no interior, os casos subiram de 129 para 4,3 mil, o que representa aumento de 3.302%. 

Nesta sexta-feira, 8, o governador João Doria (PSDB), deve anunciar os detalhes de um plano de flexibilização no Estado de São Paulo. O plano prevê que a abertura vai depender de três critérios: taxa de crescimento do número de pessoas infectadas, capacidade do sistema de saúde de oferecer leitos de internação e número de pessoas testadas para a doença. Mas o próprio Doria já afirmou que em cidades com taxa de isolamento abaixo de 50% a flexibilização não será possível. A quarentena foi implementada em todo o Estado de São Paulo no dia 24 de março e tem validade até o dia 10, domingo. 

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