Greve da saúde tem baixa adesão em São Paulo

A greve anunciada por funcionários estaduais da saúde foi um fiasco em adesão. Dos 63 hospitais de São Paulo, apenas o do Servidor Público, na zona sul, teve paralisação parcial. Não era para menos. Além de descontar o dia de trabalho, a Secretaria de Saúde cortou gratificações dos funcionários participantes - isso para uma categoria que tem salário base menor que a metade de um salário mínimo e sobrevive com "adicionais". "É uma humilhação", lamentava a técnica de laboratório Maria da Penha Brizzi. Com 34 anos de profissão, ela recebe seis qüinqüênios (prêmio por cada cinco anos de trabalho acumulado), o que significa R$ 54 a mais no fim do mês. Emocionada, ela desistiu de distribuir panfletos e resolveu mostrar o holerite. "Dá vergonha, mas quem sabe os políticos também fiquem envergonhados", disse. O salário base da especialista é de R$ 134,43. Com uma extensa lista de adicionais, que vão de tempo de casa a adicionais noturnos, o total sobe para R$ 634. Desse bruto, são descontados R$ 108,74 de INSS e R$ 19,80 de plano de saúde. Sobram cerca de R$ 500. "E aí ameaçam a gente de tirar os adicionais se a gente faz greve? Por que o Marcola pode exigir o que quiser e a gente precisa ficar quieto?" Mais do que pedir silêncio, a direção do Hospital Regional de Taipas (HRT), na zona norte, falou pelos funcionários. Enquanto duas faixas do Sindsaúde anunciavam a greve, uma outra instalada em cima da guarita e sem assinatura dizia: "Nós funcionários estamos trabalhando". A situação deixou os pacientes confusos. "Estava chegando e vi a primeira faixa, resolvi tentar atendimento mesmo assim e vi a segunda. Estava tudo normal", comentou o soldador Gerailton Juvenal da Costa, de 27 anos. Duas enfermeiras , que não quiseram se identificar, disseram que circulou um comunicado com repreensões a quem aderisse à greve. O informe dizia que os nomes seriam marcados para retirada de benefícios. As principais reivindicações da categoria são aumento de 30% e incorporação das gratificações, para que punições como as de ontem não possam ocorrer. A Secretaria de Saúde informou que negocia o atendimento de parte dos pedidos dos funcionários com a Casa Civil. Por causa das eleições, aumentos só podem ser concedidos até o final de junho.

Agencia Estado,

31 de maio de 2006 | 09h18

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