Greve na Anvisa faz hemocentros perderem sangue

Hemocentros do País estão descartando sangue por falta de reagentes, substâncias importadas que só podem ser retiradas da alfândega após fiscalização feita por funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O problema é que os agentes estão em greve. O Ministério da Saúde admite a perda de estoques de sangue, mas garante que isso só vem ocorrendo em São Paulo e na Paraíba. "Até a última quinta-feira, dia 20, não tínhamos notificação de problemas generalizados", informou a assessoria de imprensa da pasta, citando o caso de São Paulo, onde o sangue coletado está sendo descartado por falta de material para testes. Os bancos de sangue da Paraíba estariam com o mesmo problema. Os fiscais da Anvisa estão em greve desde o dia 21 de fevereiro, paralisação que já ultrapassa 60 dias. Eles são responsáveis pela liberação de qualquer carga que chega ao País. Com a greve, medicamentos, insumos utilizados na fabricação de remédios, alimentos e cosméticos, entre outros, estão parados nos portos. Os reagentes usados para testar o sangue coletado estão na lista de produtos retidos. A greve atinge os principais pontos para desembarque desses produtos: o Porto de Santos, o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o de Viracopos. Apesar de empresários da iniciativa privada reclamarem que R$ 700 milhões em medicamentos e equipamentos estão retidos nos portos, a Anvisa alegou que, mesmo com a greve, a agência vem cumprindo o acordo de manter 30% dos funcionários trabalhando nos portos e aeroportos. Cerca de 1.400 funcionários trabalham nesses locais. Os grevistas reivindicam equiparação de salários entre os funcionários novos, admitidos por meio de concursos, e os mais antigos. Ainda segundo a assessoria da Anvisa, representantes dos grevistas e do Ministério do Planejamento têm se reunido com freqüência para tentar um acordo que ponha fim à greve. Nesta semana, dirigentes de associações ligadas ao setor de saúde esperam reunir-se com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com o diretor da Diretoria Colegiada da Anvisa, Dirceu Raposo, para detalhar os prejuízos do setor com a greve. O encontro ainda não foi confirmado pela Casa Civil.

Agencia Estado,

24 de abril de 2006 | 10h30

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