Gripe aviária: 4ª morte na Turquia aumenta temor de epidemia

A gripe aviária volta a assustar a Europa com a morte de mais uma jovem na Turquia, a confirmação de uma nova internação e a suspeita de casos, já descartados, na Bélgica e na Alemanha. Autoridades de países vizinhos à Turquia e outras nações européias reforçaram ações preventivas, como o sacrifício de milhares de aves. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) alerta que o vírus H5N1 pode ter se espalhado pela região. A nova explosão de casos e suspeitas já era esperada pelas Nações Unidas desde dezembro, quando as primeiras aves infectadas foram descobertas no noroeste do país. Apesar de o governo turco agir com agilidade e isolar a granja contaminada, logo os casos em humanos começaram a aparecer. Ontem, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que Fatma Ozcan, de 14 anos, morreu no domingo vítima do H5N1. É a quarta morte causada pela doença na Turquia. As autoridades se apressaram em enterrá-la no mesmo dia, em um cemitério coberto de neve. Ela foi envolvida em um saco especial para conter a propagação do vírus e apenas uma oração rápida foi feita. Quando chegou ao hospital, seu nariz e boca sangravam. Seu irmão, de 5 anos, está hospitalizado com febre e uma infecção pulmonar leve, sintomas da gripe aviária - a confirmação ainda não veio. Os dois foram contaminados ao matar um pato infectado no início do mês em sua casa, na Província de Agri, no leste do país. Vizinhança A proximidade de animais e pessoas, costume na Turquia e em outras nações atingidas pela epidemia, dificulta o controle. O governo turco proibiu o trânsito de aves domésticas pelo país e mandou matar 932 mil animais nas últimas duas semanas. Ainda assim, o H5N1 foi encontrado em aves domésticas e selvagens em um terço do território turco, atingindo desde Istambul, na borda da Europa, até Van, perto do Irã e Iraque. Países como Geórgia, Armênia, Ucrânia e Moldova também correm risco, diz a FAO. Na Grécia, o ministro da Saúde pediu aos habitantes que evitem a Turquia, mas não fechou a fronteira. Na Síria, a alfândega desinfeta carros e pessoas antes de entrarem no território. O Irã sacrificou dezenas de milhares de aves, fechou sua fronteira com a Turquia para viagens rápidas e baniu a importação de qualquer produto aviário turco. O governo turco acusa nações vizinhas de não divulgarem casos de infecção já presentes. ?Alguns regimes fechados estão escondendo isso. Sabemos com certeza que essa doença está em outros lugares?, disse ontem o ministro da Agricultura, Mehdi Eker. Verbas Para o especialista da FAO Juan Lubroth, ainda é tempo de prevenir que o vírus se torne endêmico na Turquia, e, por conseqüência, ameace menos países próximos, ?desde que o serviço de controle animal tenha recursos suficientes?. O dinheiro pode vir de uma conferência de doadores que começa hoje em Pequim. O Banco Mundial espera levantar US$ 1,2 bilhão, mas o coordenador do programa de controle da gripe aviária na OMS, David Navarro, quer US$ 300 milhões a mais. ?Pedir ao mundo que invista US$ 1,5 bilhão nisso, o que eu gostaria de ver, é realmente pouco em comparação com o custo total ao mundo de uma pandemia?, afirmou. ?Não podemos dizer, a essa altura, que a situação está globalmente sob controle. Mas tenho visto um aumento da intensidade com que os países estão lutando contra a doença.? A gripe aviária é provocada por um vírus da influenza, como o da gripe comum, porém mais perigoso e mortal. Ele apareceu em 2003 na Ásia, onde fez a maior parte das vítimas. Até agora, já foram registrados 165 casos em todo o mundo, com 82 mortes. A Europa espera que cedo ou tarde um caso seja identificado no continente, seja pela transmissão por aves migratórias, seja numa pessoa infectada em viagem pelas regiões endêmicas. Ontem, um hospital israelense negou que um palestino doente estivesse infectado com o H5N1.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2006 | 11h27

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