Gripe aviária pode agravar crise mundial de alimentos, diz FAO

Aves são principal fonte de proteína de 80% das pessoas pobres nas regiões mais afetadas pela doença

AP

20 de junho de 2008 | 16h59

A pior fase da gripe aviária acabou, mas a luta para eliminar a doença continua fraca - uma situação que pode piorar a crise mundial de alimentos, disseram especialistas em saúde nesta sexta-feira, 20. "O pico acabou, mas nós ainda estamos lidando com muitos surtos, pequenos surtos", disse Juan Lubroth, representante da Food and Agricultural Organization (FAO) das Nações Unidas.  "É como um pote em ebulição, e nós precisamos manter a tampa fechada antes que piore", acrescentou, durante o 13º Congresso Internacional de Doenças Infecciosas, em Kuala Lumpur, na Malásia.  A gripe aviária ainda está ativa em 10 países, 50 a menos que os 60 afetados pela doença desde 2003. Pontos quentes incluem a China, Egito, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Vietnã.  Lubroth, chefe do sistema de prevenção de emergências da FAO, disse que "atrasos e fraquezas" permanecem na luta para eliminar a cepa mortal do vírus H5N1 das aves para consumo.  Ele disse que a morte das aves afeta sobretudo os pobres, 80% dos quais dependem desses animais para sua subsistência. Ele acrescentou que as aves são fontes importantes e baratas de proteína para pessoas que se perguntam todos os dias: "O que nós vamos comer hoje?" Ele alertou que a falha em proteger essas fontes de alimentação pode piorar a crise de alimentos, causada pelo aumentos nos preços do arroz, milho e outros alimentos básicos. O especialista disse que 240 milhões de aves morreram ou foram massacradas, e milhões fontes de subsistência destruídas, devido à gripe aviária.  Serviços veterinários em todo o mundo precisam ser reforçados e mais especialistas têm que ser treinados, acrescentou, dizendo que países têm que usar mais vigilância e implementar políticas para lidar com a doença. "Nós não conseguimos ver esse comprometimento político", disse.  Além da ameaça à situação dos alimentos, a gripe aviária também pode ameaçar vidas humanas mais diretamente.  A transmissão entre humanos do vírus H5N1 foi relatada em Hong Kong, Vietnã e Indonésia, mas nenhum dos casos foram provados. Especialistas acreditam que o vírus continue afetando pouco os humanos. No entanto, eles temem que ele possa sofrer uma mutação e se transformar em uma forma que se espalhe mais facilmente entre humanos, desencadeando uma pandemia que poderia rapidamente matar milhões de pessoas, que não teriam nenhuma imunidade contra o novo vírus.  "Se nós quisermos prevenir uma pandemia humana, nós precisamos conter essa doença em sua fonte - sendo ela as aves, a falta de higiene, falta de infra-estruturas regulatórias para melhorar o setor produtor de aves", disse.  Nikki Shindo, especialista em controle de infecções da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse à conferência que o vírus ainda não está sendo transmitido de humanos para humanos e que a gripe aviária não apresenta "grande risco para a saúde pública" de humanos clinicamente.  Shindo disse que 385 pessoas contraíram a doença desde 2003 e que 241 delas morreram, cerca de metade delas na Indonésia.

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