Gripe aviária se espalha na Europa; agora, atinge Polônia

A gripe aviária continua a avançar sobre a Europa. Ontem, além de terem sido encontrados novos focos na França, na Suíça, na Grécia e na Romênia, o vírus H5 foi identificado pela primeira vez na Polônia, em dois cisnes achados mortos no trecho do Rio Vístula que passa pela cidade de Torun. As duas aves foram encontradas na terça-feira no centro de esportes aquáticos da cidade. Os cisnes foram examinados pelo Instituto Estadual de Veterinária. Amostras já foram enviadas ao laboratório de referência da União Européia, no Reino Unido, para determinar se o vírus é do tipo H5N1, mortal para os humanos. O laboratório britânico só divulgará os resultados na próxima semana, mas as autoridades polonesas já aplicaram os procedimentos estabelecidos pela União Européia para impedir a propagação da doença. Tais medidas provocarão consideráveis contratempos para os moradores de Torun, já que as aves foram encontradas no centro da cidade, que foi fechado ao tráfego de carros e pedestres. Nas proximidades da zona urbana há sete granjas especializadas na produção de ovos e na criação de frangos. No perímetro urbano há mais quatro. No mediterrâneo francês Nove países da União Européia já detectaram o letal vírus H5N1 em aves silvestres neste ano (Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovênia, França, Grécia, Hungria, Itália e Suécia). Na França, foi anunciado ontem que o H5N1 foi identificado num pato selvagem no leste e num ganso no sul do país - foi o primeiro caso registrado na costa mediterrânea da França. Aproximadamente 30 aves já contraíram o vírus, o que compromete seriamente as exportações de frango do país - mais de 40 países anunciaram restrições. Por isso, o governo francês ampliou a zona de proteção de 70 para 300 cidades. Na vizinha Suíça, foram descobertos mais quatro caso do vírus H5 em pássaros silvestres. Patos foram achados mortos em Steckborn, um município da fronteira com a Alemanha.Amostras foram enviadas ao laboratório do Reino Unido. Testes em três gansos selvagens e um biguá no norte da Grécia deram positivo para o H5N1. Com isso, o número de aves infectadas na Grécia subiu para 26. Ainda não houve caso humano no país. Medida de precaução Como medida de precaução, milhares de aves de granja começaram a ser sacrificadas ontem na Romênia por causa da descoberta de possíveis casos do vírus na aldeia de Borcea, perto do Rio Danúbio. Embora ainda não haja nenhum resultado conclusivo, cerca de 100 mil aves deverão ser mortas. O avanço da doença pelo continente europeu deixa a população cada vez mais aflita. Os portugueses do pequeno município de Sever do Vouga ficaram desesperados no sábado, quando encontraram cerca de 400 frangos mortos em um terreno no centro da cidade. Embora ainda não se saiba a causa das mortes, as primeiras investigações descartaram a gripe. Acredita-se que o dono de alguma granja tenha jogado os frangos no terreno. Portugal ainda não teve nenhum caso de influenza. No Azerbaijão, está sendo investigado se seis membros de uma família do sul do país contraíram a doença. Todos têm pneumonia. Duas meninas dessa mesma família morreram recentemente por causa da gripe. Na China, a namorada do homem de 32 anos que morreu em decorrência da doença na semana passada na fronteira com Hong Kong também está doente, mas, a princípio, não foi infectada pelo vírus H5N1. ONU Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma a morte de 94 pessoas desde 2003 na Ásia e no Oriente Médio. O vírus pode ser transmitido de aves para humanos. Cientistas temem que sofra mutações e se torne contagioso entre humanos - por enquanto, é transmitido apenas entre animais e de animais para o homem. Caso a mudança ocorra, é possível que a doença se espalhe sem controle pelo mundo.

Agencia Estado,

06 de março de 2006 | 12h00

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