Gripe comum causou 753 mortes no País em um ano

Internações chegaram a 27,3 mil pacientes e gasto com doentes somaram R$ 18 milhões no ano passado

Fabiane Leite, de O Estado de S. Paulo,

16 Maio 2009 | 15h51

A gripe comum gerou, só no ano passado, 27,3 mil internações em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro e 753 mortes, patamares próximos de 2007. Os governos gastaram R$ 18 milhões com as internações dos doentes em 2008. No total, houve 1,3 milhão de internações por doenças respiratórias, principal causa de hospitalizações no País.

 

No entanto, segundo especialistas, os números pouco dizem, pois a gripe e outras doenças respiratórias ainda não têm sua evolução adequadamente acompanhada no SUS, o que se torna ainda mais preocupante com a ameaça de um surto da nova gripe suína no próximo inverno, doença que gera alerta mundial há quase um mês.

 

Até sexta-feira, o País registrava oito casos, sem evidência de transmissão sustentável, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado que o teste dos países do Hemisfério Sul será o inverno. Para o epidemiologista Expedito Luna, professor do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo, governos municipais, estaduais e União precisam acompanhar a evolução das doenças respiratórias assim como fazem com doenças que causam diarreias.

 

Hoje, serviços de saúde devem contabilizar casos de diarreia semanalmente para abastecer um sistema do SUS e verificar, analisando os dados, se não há picos que evidenciem um novo padrão das doenças, como surto de cólera. No País, no entanto, gripes e outras doenças respiratórias, como pneumonias, que podem ou não estar associadas ao vírus da gripe, têm seus dados apenas somados no fim do ano e não um monitoramento ao longo das semanas.

 

"A rede pública já não faz de rotina o diagnóstico que investiga a origem das doenças respiratórias, então a ideia é criar um tipo de vigilância mais simples. Toda unidade conta os casos e faz um gráfico", diz Luna. Questionado sobre a suposta falta de acompanhamento, o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, não respondeu. Disse apenas que existe uma rede de unidades sentinela no País, desde 2000, "como nos demais países".

 

"Por natureza, o universo das unidades sentinelas não objetiva capturar as informações do país, de forma homogênea, mas monitorar a circulação do vírus e identificar modificações nos padrões de ocorrência da doença." Mas estudos apontam que até a rede de 59 unidades sentinelas tem um trabalho irregular, com participação inadequada de mais da metade dos Estados, como informou o Estado na semana passada."Os centros sentinela são uma solução inteligente se funcionassem corretamente", diz a epidemiologista Maria Rita Donalísio, da Unicamp.

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