DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Gripe H1N1 mata 3 vezes mais no Estado de SP do que em 2015

No ano passado, síndrome respiratória causada pela doença havia levado a dez mortes no Estado e não houve registros na capital

Fabiana Cambricoli, José Maria Tomazela e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

29 Março 2016 | 03h00

SÃO PAULO - O surto antecipado de gripe H1N1 no Estado de São Paulo já matou 38 pessoas neste ano - oito delas na capital. Em todo o ano passado, a doença havia causado dez mortes no Estado, sem nenhum registro na cidade de São Paulo. Somente nos três primeiros meses deste ano, esse tipo de gripe já fez três vezes mais vítimas do que em todo o ano passado.

Os óbitos se referem a pacientes que desenvolveram a chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), doença que pode ser causada por diversos agentes infecciosos, principalmente pelos vários tipos de vírus influenza. Somados todos os agentes, a síndrome causou 42 mortes neste ano no Estado.

O número de casos de SRAG provocados pelo H1N1 notificados neste ano no Estado também teve um salto em relação a 2015: 260, ante 33. Na capital, os registros passaram de 1 para 66 no mesmo período.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, sete dos oito mortos na capital por H1N1 apresentavam alguma doença crônica ou condição que os tornavam mais suscetíveis a complicações. Fazem parte dos grupos de risco idosos, gestantes, crianças e portadores de problemas como diabete e hipertensão.

Dos oito mortos, três eram pacientes de hospitais privados, quatro, de unidades estaduais, e um, de um centro médico da Prefeitura.

De acordo com o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha, a antecipação do surto desse tipo de gripe, que costuma ocorrer somente no inverno, está provavelmente relacionada à maior disseminação do mesmo vírus nos países do Hemisfério Norte durante o inverno, ocorrido entre dezembro e março - verão no Brasil. “Certamente isso está relacionado a pessoas que circularam entre novembro e janeiro no Hemisfério Norte, no inverno de lá, e trouxeram, de uma certa forma, o vírus H1N1 para o nosso meio, e ele está circulando mais por aqui também”, disse.

Padilha afirmou que as duas principais medidas que devem ser adotadas pela Prefeitura para minimizar o problema são a oferta ampla do medicamento oseltamivir (Tamiflu) e a antecipação, em parceria com o Ministério da Saúde, da campanha de vacinação contra gripe, cujo início oficial está marcado para o dia 30 de abril.

Outras regiões. A região noroeste do Estado tem quase a metade das mortes pelo vírus H1N1 no Estado de São Paulo. Dados das prefeituras indicam que 16 pacientes morreram em cidades da região de Jales.

Na região de Campinas, duas mortes são investigadas em Pirassununga. Na noite de domingo, o secretário adjunto de Educação de Americana, Wellington Carlos Zigarti, de 34 anos, morreu com sintomas de infecção pelo H1N1. 

De acordo com a prefeitura, o caso é tratado como suspeito e foram enviadas amostras para exames ao Instituto Adolfo Lutz. Zigarti, que ocupava o cargo público desde janeiro de 2015, estava internado havia oito dias em uma clínica particular. “Foi uma morte totalmente inesperada. Era um jovem profissional de muito gabarito”, lamentou a secretária de Educação, Jussara Noveli. Segundo a prefeitura, três pessoas - dois homens e uma mulher, todos com mais de 50 anos - estão internadas com sintomas da doença e os casos são considerados suspeitos.

A primeira morte do ano por H1N1 no Estado de São Paulo vitimou Rosinalva Lima Zanella, de 38 anos, moradora da pequena Tabapuã. Ela estava internada desde o dia 1.º de janeiro no Hospital Padre Albino, de Catanduva, com diagnóstico de gripe, e morreu no dia 14 daquele mês. No dia 26 de janeiro, foi registrada a segunda morte pelo H1N1, em Santa Adélia, na mesma região. A vítima, Jéssica Aparecida Mambelli, de 21 anos, tinha síndrome de Down, segundo a Secretaria de Saúde do município.

Susto. A analista de comércio exterior Monique Marcone, de 23 anos, foi surpreendida na semana passada com o diagnóstico do filho Arthur, de 2 anos, que teve H1N1. “Primeira vez que eu vi em uma pessoa tão próxima. Tomei um susto, porque não imaginei que ele estivesse com H1N1”, contou a mãe. A criança ficou internada e, agora, está se recuperando em casa.

Infectologista do Hospital Infantil Sabará, Francisco Ivanildo de Oliveira diz que as crianças estão no grupo de risco para o vírus e que é fundamental ficar atento aos sinais doença. “Deve-se procurar um médico em caso de falta de ar, febre persistente e alterações de comportamento, como irritação.”

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Qual a diferença entre a gripe comum e a H1N1?

Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus influenza. Os sintomas são muito parecidos: tosse, febre repentina, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Com o H1N1, os sintomas podem se manifestar de forma mais intensa.

2.Como ocorre a transmissão?

O vírus influenza pode começar a ser transmitido até um dia antes do início dos sintomas. O período de transmissão dura sete dias em adultos e até 14 dias em crianças. A forma mais comum de infecção é a direta entre pessoas, por meio de gotículas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar. A outra forma é a indireta, por meio de toque em superfícies contaminadas.

3. Qual a forma de prevenção?

Alguns cuidados de higiene devem ser tomados, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

4. Quais são os grupos de risco?

Os cuidados devem ser redobrados com crianças e idosos. Para os pequenos, principalmente no ambiente escolar, recomenda-se que, além de incentivar a lavagem correta das mãos, os brinquedos e objetos de uso comum sejam higienizados com álcool em gel. Já para os idosos, o perigo do vírus está nas complicações advindas com a gripe, como a pneumonia, e com o agravamento de doenças crônicas como hipertensão e diabete. 

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