MICHAEL DANTAS / AFP
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Grupo calcula 90 mil mortes até o fim do mês

Economistas da PUC-RJ e da FGV dizem que houve uma estabilização no número de mortes, porém num patamar ainda considerado muito elevado, que varia de 900 a 1.100 registros por dia

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 05h00

RIO - Até o fim deste mês o Brasil deve registrar 2,5 milhões de casos de covid-19 e até 90 mil mortes provocadas pela doença. A previsão é do grupo Covid19Analytics, composto de economistas da PUC-RJ e da FGV, que vem tendo um dos melhores índices de acerto nas previsões de curto prazo sobre a epidemia, com margem de erro de apenas 2%.

De acordo com os especialistas, houve uma estabilização no número de mortes, porém num patamar ainda considerado muito elevado, que varia de 900 a 1.100 registros por dia. Tampouco há ainda previsão de queda: até o fim do mês a previsão é de que o gráfico seguirá estável.

"Não parou de morrer gente e as pessoas vão continuar morrendo", frisa o economista Marcelo Medeiros, um dos coordenadores do grupo. "Mas o fato é que vinha numa aceleração muito rápida, exponencial, e deu uma desacelerada."

Segundo o último relatório do grupo, divulgado no dia 10, a epidemia está em franca interiorização e é extremamente heterogênea no país. Quando são comparadas as situações de diferentes estados, municípios e até mesmo regiões específicas dentro das cidades as realidades são muito diferentes.

"São várias ondas diferentes e misturadas", disse o economista. "Os Estados, e mesmo os municípios, estão em tempos epidemiológicos muito diferentes."

Em relação ao número de reprodução (aquele que revela quantas pessoas em média um infectado contamina), ele se mantém estabilizado no país em 1,15. O ideal é que este número esteja abaixo de um. O número ideal só foi alcançado no Pará e no Amapá. Nos outros estados e no Distrito Federal o número de reprodução varia entre 1,0 e 1,5.

Ainda assim, o número de mortes parece estabilizado em São Paulo e em queda no Rio de Janeiro, segundo os economistas.

"São Paulo conseguiu dar uma achatada na curva e espalhar mais as mortes", explicou Medeiros. "No Rio, houve um pico grande e uma queda. Quando comparamos o número de mortes por milhão de habitante, o Rio teve uma taxa maior do que a da Suécia, equivalente à da França, quase igual à da Itália. Mas como o nosso sistema de saúde não entrou em colapso, não tivemos a real dimensão da tragédia."

O economista frisa, no entanto, que os números não refletem ainda a recente flexibilização das medidas de isolamento social em vários estados. A nova realidade só começará a aparecer dentro de pelo menos duas semanas.

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