Marcos Müller/Estadão
A primeira mutação significativa foi a B.1.1.7, identificada no Reino Unido no fim de 2020 Marcos Müller/Estadão

Covid: guia ajuda a enfrentar o novo pico da pandemia

Respondemos 40 dúvidas sobre a nova fase da doença no Brasil, parte das questões enviada por nossos leitores; especialistas tiram dúvidas e alertam população sobre cuidados que devem ser mantidos mais do que nunca

Paula  Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

  

Diante do surgimento de variantes do coronavírus, especialistas alertam para a importância de a população manter em prática medidas já conhecidas desde o início da pandemia. Além da higiene correta das mãos, uso de máscara e distanciamento social, a testagem em massa, o rastreamento de contatos e o avanço de imunização são ações necessárias. Nos últimos dias, diversos municípios e Estados também ampliaram restrições para evitar o colapso no sistema de saúde, em razão do aumento de mortes e internações. As novas cepas vão agora desafiar a ciência. Confira a seguir a resposta para 40 dúvidas, parte delas enviadas por nossos leitores.

Confira as principais dúvidas sobre as novas variantes:

Quando foi identificada a P1 no Brasil?

Em 12 de janeiro, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) confirmou a identificação de uma nova linhagem do novo coronavírus com origem no Amazonas. Um estudo liderado pelo pesquisador Felipe Naveca apontou que a nova cepa brasileira era recente, provavelmente surgida entre dezembro de 2020 e janeiro deste ano. 

Denominada P1, a variante brasileira é a que foi identificada pelo Japão em quatro viajantes (um homem e uma mulher adultos e duas crianças) que retornaram da Amazônia em 2 de janeiro. O homem chegou a ser hospitalizado, por dificuldades respiratórias, enquanto a mulher e uma das crianças (um menino) tiveram sintomas leves e a menina esteve assintomática. "A evolução nos vírus é uma coisa já esperada. 

Por que, assim como as variantes britânica e africana, a P1 chama muita atenção?

Essas variantes acumularam muitas mutações em pouco tempo acima do que estávamos vendo até o momento", afirma o pesquisador.

Quais são as variantes britânica e africana, que também preocupam o mundo?

A primeira mutação significativa foi a B.1.1.7, identificada no Reino Unido no fim de 2020. Os dois primeiros casos foram registrados em Kent e em Londres, na Inglaterra. No Brasil, Manaus foi o primeiro local a registrar uma variante própria, a P1. Outra cepa, originária da África do Sul, a B.1351, já se mostrou resistente a vacinas e anticorpos. Ainda em estudo, não é possível afirmar com total segurança se essas variantes são mais ou menos letais.

A P1, variante encontrada no Brasil e já disseminada para outros países, tem mutações em comum com as variantes briânica e sul-africana?

Segundo Lucas Augusto Moyses Franco, pós-doutorando da Faculdade de Medicina da USP e colaborador do grupo Cadde, além de também carregar a N501Y, que provoca alterações na proteína spike do vírus, a nova linhagem "contém uma composição única de mutações definidoras de linhagem", como a presença das mutações E484K e K417N/T. Essa E484K motiva preocupação por já ter sido associada em outros estudos a um potencial de escapar de anticorpos. Isso precisa ser melhor estudado, mas, segundo especialistas, é mais provável que esse escape favoreça reinfecções, mas não atrapalhe a ação das vacinas contra a covid-19. 

O que é uma mutação e por que ela acontece?

Gabriel Maisonnave Arisi, professor da Unifesp, explica que as mutações surgem no momento em que o vírus está se replicando em outro organismo. Nesse momento, pode haver erros e alterações no material genético do vírus. Muitas mutações deixam-no inviável, mas algumas conferem vantagem a eles. Quando isso acontece o vírus passa a ser muito mais viável. As mutações são mais comuns em locais com alta taxa de circulação do vírus.

Por meio da Fiocruz Amazônia, o pesquisador Felipe Naveca disse acreditar que a mutação não seja a única responsável pela aceleração de casos do novo coronavírus no Estado, embora possa ter influência. “Primeiro, porque a gente não tem certeza se ela está circulando no Amazonas em grande quantidade”, comenta o cientista, que pesquisa variantes do novo coronavírus desde março de 2020.

Casos da variante brasileira, a P.1, já foram confirmados em quantos Estados?

A P.1 já foi identificada em ao menos 17 Estados: Amazonas, São Paulo, Goiás, Paraíba, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul, Roraima, Minas, Paraná, Sergipe, Rio, Santa Catarina, Ceará, Alagoas, Pernambuco e Piauí. Essa nova cepa, identificada originalmente em Manaus, tem maior poder de transmissão, segundo estudos preliminares. 

A variante brasileira chegou a quais países?

Países nas Américas, na Europa e na Ásia já identificaram a mesma mutação. Entre eles, Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha, Coreia do Sul, Irlanda, Índia, Canadá, Catar, Argentina, Colômbia, Peru, Portugal, França, Espanha, Holanda já confirmaram ou investigam casos da variante brasileira. 

Em quais Estados já prevalecem as três variantes mais preocupantes do novo coronavírus?

Análise feita pela Fiocruz em oito Estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste constatou a prevalência das variantes do Amazonas, do Reino Unido e da África do Sul em pelo menos seis Estados. O dado, obtido a partir de uma nova ferramenta de análise genética, indica que há uma dispersão geográfica dessas variantes nos Estados, assim como uma alta prevalência em todas as regiões avaliadas.

De acordo com nota divulgada pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz em 4 de março, foram avaliadas mil amostras de Alagoas, Ceará, Minas, Pernambuco, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A ferramenta usada é capaz de detectar a mutação no vírus que é comum nas três variantes que mais vêm preocupando o mundo atualmente.

A análise não mostra exatamente qual é a variante, mas a ocorrência da mutação, o que já serve como indicativo de que o vírus circulante mudou. As três são chamadas de “variantes de preocupação” ou VOCs, na sigla em inglês, e já são associadas a uma maior transmissibilidade. Também há indícios de que elas são capazes de escapar de anticorpos gerados em infecções anteriores, possibilitando a reinfecção. 

Dos seis Estados, só nas amostras de Minas Gerais e Alagoas a presença da mutação ocorreu em menos da metade das amostras - respectivamente 30,3% e 42,6%. Os Estados em que elas mais aparecem são Ceará (71,9%) e Paraná (70,4%). A situação nos demais é: PE (50,8%), RJ (62,7%), RS (62,5%), SC (63,7%). 

A variante P.1 também já é predominante na Grande São Paulo, segundo estudo da rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP). Os pesquisadores analisaram 91 amostras de infectados e verificaram que 77% delas se mostraram positivas para a nova cepa.

As variantes são realmente mais perigosas?

Novos estudos sobre a variante brasileira, a P.1, têm mostrado que ela é até 2,2 vezes mais transmissível, aumenta em dez vezes a quantidade de vírus nas células do doente e tem chance até 61% maior de escapar da imunidade protetora conferida por uma infecção prévia.

Quem já notava nos dados e nas ruas o efeito do avanço da doença ainda no ano passado era o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia. Com o colapso da saúde de Manaus no início deste ano, Orellana rapidamente fez a associação com o que poderia ser um efeito da nova variante. A forma de combate, ressalta, permanece a mesma já preconizada em 2020.

“A sequência de erros que cometíamos em 2020 se repete agora, assim como as narrativas negacionistas contra máscara e lockdown. Temos o mesmo palco e o mesmo enredo. A diferença agora é que o nosso algoz é mais poderoso e se chama P.1”, disse.

No fim de janeiro, o primeiro-ministro da Inglaterra, Boris Johnson, disse que havia evidências de que a variante britânica poderia estar associada a um maior grau de mortalidade, além de ser mais transmissível. A mutação da África do Sul também é mais transmissível e, por consequência, se torna potencialmente mais letal.

Os sintomas de infectados pela variante P1 são os mesmos de outras mutações do vírus?

Até o momento, não há estudos que apontem outros sintomas para infectados pela P1, segundo Marcelo Otsuka, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A covid-19 causa danos neurológicos? É pior, diante de novas variantes?

Sim. Os sintomas neurológicos foram significativamente mais comuns nos casos graves em comparação com os menos graves. Os pacientes tiveram dor de cabeça, tontura, convulsões e até acidente vascular cerebral (AVC). 

“É difícil falar de uma enfermidade que ainda é nova, costumamos trabalhar com doenças que têm 10 anos de evolução. Ainda é preciso mais estudos, mas pesquisas já estão apontando que o novo coronavírus pode causar problemas neurológicos como AVC hemorrágico e AVC isquêmico. Quanto mais grave a manifestação do quadro clínico, maior a chance de comprometimento neurológico, sendo o quadro agravado em pacientes mais velhos”, afirma o neurocirurgião Alexandre Meluzzi, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Variante de Manaus aumenta carga viral no corpo, além de ser mais transmissível?

Dois novos estudos feitos por pesquisadores brasileiros trazem mais evidências de que a variante de Manaus é mais transmissível e pode escapar dos anticorpos formados por uma 1ª infecção.

As pesquisas apontam que a cepa P.1 é até 2,2 vezes mais contagiosa, aumenta em dez vezes a quantidade de vírus nas células do doente e tem chance até 61% maior de escapar da imunidade protetora conferida por uma infecção prévia. As pesquisas ainda não foram revisadas por outros cientistas nem publicadas em revistas científicas, mas estão disponíveis online.

O aumento da carga viral foi identificado por pesquisadores da Fiocruz Amazônia a partir da análise do material genético de 250 amostras de infectados no Amazonas entre março de 2020 e janeiro de 2021.

A variante P1 afeta mais os jovens?

Ainda não é possível afirmar que a variante afeta mais os jovens nem se vão evoluir de forma mais grave. “A gente tem melhorado a triagem e os exames, há mais diagnósticos. Acaba tendo mais casos. Mas a maior proporção de óbitos continua sendo na população de risco e em idosos. Não se sabe se, com a nova variante, vai ter casos mais graves ou não, Mas a gente vai acabar vendo evoluções piores em jovens, o serviço vai ter mais jovens proporcionalmente”, explica o infectologista Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Como identificar uma nova cepa do vírus?

É preciso fazer o sequenciamento do genoma completo do vírus.

Como é realizado o sequenciamento para identificar as novas cepas no Brasil?

A escassez de centros especializados e as dificuldades na aquisição de insumos são entraves para a ampliação do monitoramento genômico no Brasil. A rede Coronaômica, instalada em outubro pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, foi criada com o objetivo de ampliar essa vigilância. Há também laboratórios de referência definidos pelo Ministério da Saúde que recebem rotineiramente amostras de todo o Brasil - a média de exames enviados por Estado é de 12 por mês. 

Em janeiro, a pasta montou uma rede de quatro laboratórios para ampliar o número de genomas sequenciados diante do surgimento de novas cepas, mas o volume ainda é baixo. O projeto prevê sequenciar 1.200 amostras em 16 semanas.

Onde está sendo feito o monitoramento do sequenciamento genético do vírus no Brasil? 

O monitoramento do sequenciamento genético do vírus está sendo feito pelos laboratórios da Fiocruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. O ministério informa que outros laboratórios públicos e privados também contam com análises do sequenciamento em suas linhas de pesquisa.

A média de sequenciamentos no Brasil é similar a de outros países?

O Brasil depositou cerca de 2,6 mil genomas, equivalente a 0,02% dos casos de covid, no banco online de sequenciamentos com dados do mundo inteiro, o Gisaid. O Reino Unido já sequenciou 215 mil genomas - 5,3% das suas infecções. Já a África do Sul fez 3,3 mil sequenciamentos (0,22% do total). 

Como funciona o teste rápido criado pela Fiocruz Amazônia de detecção de novas variantes?

Pesquisadores da Fiocruz Amazônia desenvolveram uma ferramenta para a detecção rápida de linhagens do novo coronavírus de maior importância em circulação no Brasil, por meio do exame RT-PCR. 

Diante da importância de maior vigilância genética da covid-19 no País, o teste desenvolvido ajudará a controlar a disseminação de cepas ao contribuir para o acompanhamento das linhagens que circulam nas cidades. O ensaio foi desenhado para detectar uma deleção que existe em todas as variantes do vírus, como a brasileira, a da África do Sul e a do Reino Unido.

"A principal vantagem do novo ensaio que estamos utilizando no laboratório é que permite diferenciar logo se é uma das variantes. Com essa detecção, a gente consegue direcionar melhor o sequenciamento. Como temos um predomínio hoje da P1 no Amazonas, ela nos ajuda a ver exatamente qual é a frequência em relação a outras linhagens já conhecidas no Estado", afirma o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca.

Poderá ser disponibilizado para todos os Estados?

A nova tecnologia será disponível, em breve, para diversos laboratórios brasileiros. Conforme a Fiocruz Amazônia, o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) será o primeiro a usar o produto, que depois seguirá para Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio e outros laboratórios interessados.

A mutação é a única responsável pela aceleração de casos do novo coronavírus no Amazonas?

O pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia, disse acreditar que a mutação não seja a única responsável pela aceleração de casos no Estado, embora possa ter influência. ““Sempre considero que essa situação é multifatorial, a gente tem o início da temporada de vírus respiratórios no Amazonas, que historicamente acontece em meados de novembro em diante, o que a gente chama de inverno amazônico, onde outros vírus respiratórios, como o influenza, também aumentam. A gente tem essa situação sazonal, a variante e a diminuição do distanciamento social”, comenta. “Pode ser que haja sim contribuição dessa variante, mas a gente ainda não tem certeza.”

De acordo com o pesquisador, o vírus evolui “até mais lentamente que os outros”. Nesse cenário, a nova variante chama a atenção, pois “acumulou muitas mutações em pouco tempo”, assim como as encontradas no Reino Unido e na África do Sul. 

As mutações vão continuar surgindo?

Para diminuir o número de mutações é necessário parar a epidemia. Isso só vai acontecer se as medidas de higiene e distanciamento forem levadas a sério pelas pessoas. Caso contrário, mutações mais resistentes e transmissíveis tendem a surgir.

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Guia: Qual é a eficácia das vacinas contra as novas variantes?

Risco de mutações escaparem da proteção conferida pelos imunizantes ainda está em estudo. Pesquisas têm apontado eficácia reduzida, mas não totalmente anulada

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

As vacinas são capazes de prevenir contra todas as cepas do coronavírus que conhecemos hoje?

Um risco do avanço das mutações do vírus é que elas consigam escapar da proteção conferida pelas vacinas, hipótese que ainda está em estudo. Pesquisas têm sugerido que a eficácia pode ser reduzida, mas não totalmente anulada. 

O que sabemos sobre a Coronavac?

Uma análise preliminar com dados de oito pessoas sugeriu que a variante pode escapar dos anticorpos produzidos pela Coronavac, principal imunizante aplicado no Brasil.

Contra esses efeitos, a doutora em microbiologia Natalia Pasternak pede aceleração na aplicação das vacinas. “As vacinas devem ser usadas em massa o quanto antes porque ainda funcionam. Se vacinar em massa, impedimos novas variantes. Se deixa a doença correr solta sem vacina, corre o risco de aparecerem outras variantes que escapem completamente do que o mercado tem agora (de imunizante) e aí seria preciso redesenhar a vacina”, explicou.

E sobre a vacina da Pfizer e a vacina de Oxford?

"Até agora, a notícia é boa. A Pfizer testou sua vacina com os mutantes do Reino Unido e da África do Sul e funcionou perfeitamente. Até agora, as mutações que apareceram não tornam o vírus tão diferente a ponto de não ser mais reconhecido pela vacina. Mas tem de ficar de olho, porque se aparecer uma muito diferente, vamos precisar adaptar as vacinas", afirma a doutora Natália Pasternak. Vacinas que usam o vírus inativado, como a Coronavac, têm a vantagem de, por usar o vírus inteiro, terem também mais alvos para a vacina, de modo que esse tipo de mutação não deve ser um problema.

Um estudo também mostrou que a vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca não parece oferecer proteção contra doenças leves e moderadas causadas pela mesma variante.

Qual foi a eficácia apresentada pela Johnson & Johnson e a Novavax?

A Johnson & Johnson e a Novavax disseram que suas vacinas foram menos eficazes contra a variante sul-africana em testes clínicos realizados no país. Mesmo representando um impacto positivo, a vacina da Johnson & Johnson teve eficácia menor, de 57%, para casos moderados e graves na África do Sul. Os testes foram realizados quando a variante sul-africana já estava em alta circulação. 

Nos estudos clínicos do imunizante da Novavax no Reino Unido, 50% dos participantes que tiveram covid-19 foram infectados pela nova variante. No país, a eficácia da vacina foi de 85,6%. A taxa foi menor nos testes realizados na África do Sul, que tiveram 49,4% de eficácia. 

Existe a necessidade de reaplicar a vacina futuramente?

Todas as imunizações aparentam oferecer proteção contra doenças graves e morte em relação à covid-19. Como existe o risco de que novas variantes do vírus possam acabar "driblando" a vacina, muitos especialistas estimam que com o tempo, seja necessário atualizar a vacina e reaplicá-la, como ocorre com as vacinas da gripe. 

Vamos precisar de outras vacinas para combater as novas mutações?

Gabriel Maisonnave Arisi, professor na Escola Paulista de Medicina (Unifesp), fala que as vacinas de RNA, tecnologia usada nos imunizantes contra o coronavírus, são revolucionárias porque são adaptáveis. Se for necessária uma nova vacina para combater novas mutações, o processo de fabricação será muito mais rápido. Ele acredita que no futuro as vacinas contra o coronavírus irão proteger contra mais de uma cepa.

Ele explica também que os imunizantes de vírus completo inativado, como a Coronavac, provavelmente são menos vulneráveis às variantes. Já as de adenovírus, como é o caso da vacina de Oxford/AstraZeneca e da Sputnik V, podem ser mais vulneráveis às mutações.

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Guia: Medidas preventivas contra a covid-19 devem ser mantidas

Combate à nova variante envolve a aplicação de muitas medidas já conhecidas desde o início da pandemia, mas que ainda são em parte desprezadas

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

Como podemos nos proteger e evitar o surgimento de novas variantes?

O combate à nova variante brasileira do novo coronavírus envolve, segundo especialistas, a aplicação de muitas medidas já conhecidas desde o início da pandemia. Com o novo avanço nos casos, internações e mortes causadas pela covid-19, o momento é de efetivar a implementação de ações conhecidas dos brasileiros, mas ainda em parte desprezadas. 

Ou seja, as medidas de proteção amplamente divulgadas devem ser mantidas?

Exato. Nesse rol estão o uso adequado de máscaras, a higienização recorrente das mãos e o distanciamento social. A tríade propagada por especialistas e organizações desde os primeiros sinais de avanço da doença ainda encontra dificuldade para ser posta em prática no Brasil, em particular as grandes aglomerações que continuam a ocorrer em diferentes regiões. Além de higiene, máscara e distanciamento, especialistas cobram testagem em massa e rastreamento de contatos, assim como a ampliação de imunização contra covid-19 também é necessária.

“A estratégia de combate não muda em absolutamente nada. Estamos ouvindo dizer que as variantes geraram maior disseminação da doença, mas foi a maior disseminação que gerou as variantes. Quanto mais o vírus se replica, mais ele sofre mutação. A maior probabilidade é quando deixamos ele correr livre”, explicou Natalia Pasternak, doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC).

Mantenho a rotina de tirar sapato ao chegar em casa?

Trata-se de um hábito de higiene não só em tempos de pandemia. Pode ser uma forma de evitar germes e parasitas em casa.

Com a disseminação da P1, devo deixar de usar o elevador do meu prédio?

"Podendo utilizar o elevador só você ou sua família, é melhor. Ter várias pessoas é sempre um risco maior. E, com a variante nova, o risco de infecção aumenta", orienta o infectologista Marcelo Otsuka. Se for possível, a pessoa pode usar a escada.

Moro em um condomínio. Devo continuar participando de reuniões e assembleias presenciais?

A recomendação da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) é que, durante a fase vermelha no Estado de São Paulo, sejam realizadas assembleias virtuais. A entidade diz que aglomerações também devem ser evitadas nas áreas comuns, como churrasqueiras e salões de festas.

Ainda devemos nos preocupar com limpeza de superfícies?

Em artigos publicados em revistas científicas renomadas, como The Lancet e Nature, cientistas afirmaram que o contato com superfícies não é a principal forma de infecção pelo novo coronavírus. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também fez a mesma afirmação, dizendo que a transmissão de gotículas respiratórias infecciosas era o "principal modo" de transmissão. Mesmo assim, é importante manter a higiene das mãos e continuar com o cuidado de não tocar nos olhos, no nariz, na boca nem na máscara.

Devo manter a limpeza de produtos quando faço compras no supermercado ou encomendas que recebo em casa?

Sim. A rotina de limpeza deve ser mantida com relação aos produtos comprados nos supermercados, assim como das entregas de delivery. “Higiene continua sendo muito importante. Um produto pode estar contaminado por pessoa infectada. Continuamos tendo de higienizar mãos e superfícies”, diz Otsuka. Higienizar frutas e verduras é fundamental, mas não há indícios de que a doença seja transmitida por alimentos.

Além disso, para se proteger, leve uma lista pronta do que precisa comprar para agilizar a compra, lave bem as mãos ao chegar em casa e higienize as embalagens com álcool 70%.

Em tempos de coronavírus, assim que se chega em casa se deve tirar a roupa e os sapatos e lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 40 segundos. O rosto deve ser lavado também. Os sapatos devem ser colocados na entrada da casa ou em um local que reúna apenas os calçados.

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Guia: Máscaras de tecido protegem contra novas variantes?

'As máscaras caseiras em duplo tecido e tecido de trama fechada são eficazes no bloqueio da transmissão', diz especialista; crianças com mais de 2 anos podem usar máscaras

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00
Atualizado 08 de março de 2021 | 10h31

Máscaras de tecido protegem contra novas variantes do coronavírus?

Diante do maior potencial de transmissão de novas variantes do novo coronavírus, autoridades europeias desaconselharam o uso de máscaras caseiras de tecido por considerá-las menos eficientes na proteção. No entanto, especialistas consultados pelo Estadão defendem que são necessários mais estudos para investigar a eficácia desse tipo de proteção contra as cepas recém-descobertas do Sars-CoV-2. Eles concordam que, por enquanto, o recomendado é que as pessoas mantenham os mesmos cuidados: usar máscara facial, evitar aglomerações, manter distanciamento social e higienizar corretamente as mãos.

Segundo Raquel Stucchi, infectologista, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a nova variante altera a 'superfície externa do vírus'. "Apesar da transmissão mais fácil pela nova variante, o vírus continua do mesmo tamanho e possivelmente a transmissão ainda se faz por meio de gotículas. As máscaras caseiras em duplo tecido e tecido de trama fechada são eficazes no bloqueio da transmissão", afirma.

Lauro Ferreira Pinto Neto, professor da Santa Casa de Vitória, concorda que não há estudos que comprovem que a máscara de pano não funciona contra novas variantes. "Não conheço nenhum trabalho que possa confirmar isso. Claro que as máscaras cirúrgicas e N95 são melhores, mas não há produção em escala para atender toda a população. O que sabemos é que a máscara, mesmo de pano, usada adequadamente, tem papel fundamental na proteção ao novo coronavírus", reforça o infectologista da SBI.

Máscaras N95 oferecem mais proteção contra as novas variantes do coronavírus?

Com a circulação das novas variantes do novo coronavírus, países europeus, como a Alemanha, passaram a exigir o uso de máscaras profissionais pela população em locais públicos e com grande circulação de pessoas. Especialistas afirmam que o modelo N95, ou PFF2 (peça facial filtrante), é o mais eficaz para evitar a infecção por aerossóis, mas não deve ser usado em todas as ocasiões.

Pós-doutorando na Faculdade de Medicina na Universidade de Vermont, o físico e membro do Observatório Covid-19 Vitor Mori diz que, desde o começo da pandemia, o Brasil já deveria ter investido na disponibilização da máscara N95 (PPF2) para a população que está mais exposta ao vírus.

"O Brasil cometeu um erro na contenção e se preocupou mais com as gotículas maiores, com as superfícies, mas sabemos da infecção por inalação de pequenas gotículas, pelos aerossóis, e isso custou muitas vidas. Ir nessa direção agora é recuperar um atraso de nove meses."

Segundo Mori, as máscaras de tecido eram soluções temporárias, embora possam ser usadas para locais ao ar livre e que permitam o distanciamento social. Para situações de risco, o correto seria adotar a N95.

Agora vale colocar máscaras em crianças pequenas?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já recomendava o uso da máscara por crianças, mas apenas pelas maiores de 2 anos, pois há risco de sufocamento em crianças mais novas. Entre 2 e 5 anos, um adulto deve supervisionar o uso. “Sempre valeu a pena. As crianças se dão bem com a máscara também. Assim, são protegidas e protegem os outros”, diz Otsuka.

Apesar do avanço da doença, o uso de máscaras em menores de 2 anos é perigoso?

O uso de máscaras se mostrou um instrumento eficaz na prevenção ao novo coronavírus. Mas dependendo da faixa etária da criança e da condição clínica, a utilização deve ser evitada. Especialistas lembram que para quem tem idade inferior a 2 anos, o uso da máscara facial pode dificultar a respiração e até aumentar o risco de asfixia.

"O sufocamento é o principal risco. Não somente em crianças menores de 2 anos, mas crianças com doenças pulmonares, como asmáticos em crise, ou com distúrbios neurológicos não devem usar máscaras. No último caso, independentemente da idade o uso não é recomendado. A máscara deve ser evitada por aqueles que não conseguem manejar, ou seja, tirar a própria máscara do rosto", afirma o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP.

Qual a orientação para pais de menores de dois anos?

"Os pais de bebês ficam muito preocupados. Orientamos o uso para maiores de 2 anos de idade e a higienização correta das mãos. As crianças menores não têm autonomia com relação ao controle do uso da máscara. Além disso, como babam muito, elas podem molhar a máscara e perder a efetividade contra a doença", acrescenta Rafael Placeres, pediatra da clínica de atenção integral à saúde da Central Nacional Unimed (CNU).

O recomendado é ficar em casa, mas caso precise sair com menores de 2 anos, deve-se manter distância de um metro e meio de outras pessoas e lavar as mãos com frequência, medidas de higienização que devem ser redobradas nessas situações. "No caso de crianças menores de 2 anos, precisam ser levadas no colo. Quando retornar da rua, todas as roupas precisam ser retiradas e colocadas para lavar", orienta Placeres.

E para quem tem filhos acima de 2 anos de idade?

A partir dos 2 anos, a criança já começa a ter mais autonomia e fica mais fácil explicar a forma correta de usar a máscara. Mesmo assim, no início desse processo é preciso ter supervisão. "As crianças se adaptam bem. Vão levar a mão ao rosto. Tudo é hábito e treino. 

No 'novo normal' vamos conviver com uso de máscara por muito tempo até tudo ser realmente normalizado. Quanto maior a idade da criança, mais fácil a adaptação para o uso correto", orienta o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP.

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Guia: Quais são as restrições vigentes?

Companhias aéreas proibiram embarque com máscaras de válvula, definindo modelos de proteção específicos. Se a viagem não for essencial, o ideal é adiar o plano

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

Diante das novas variantes, companhias aéreas proibiram embarque com máscaras de válvula ou de pano?

Sim. Diante do atual cenário da covid-19 no mundo e o surgimento de novas variantes da doença, companhias aéreas decidiram proibir o uso de máscaras com válvulas por parte de passageiros e funcionários. Algumas empresas, mais rígidas, vetaram até o uso de máscaras de tecido, tão popularmente utilizadas em diversos países desde o início da pandemia.

Quais restrições foram adotadas pelas companhias aéreas internacionais?

A Lufthansa exige máscara médica em seus voos entre Brasil e Alemanha. Proteções com filtros externos e de panos não são aceitas.

A Air France não autoriza o embarque de passageiros e tripulantes com máscaras de tecido e as máscaras com válvula. O uso de máscara cirúrgica ou máscara do tipo FFP1, FFP2 ou FFP3 sem válvula é obrigatório a bordo dos aviões.

A Alitalia diz que é obrigatória a utilização constante de máscara cirúrgica de proteção ou máscaras do tipo FFP2 ou FFP3, sem válvula, a bordo de voos com destino à Itália. Máscaras com válvula ou de tecido não são permitidas.

E pelas aéreas nacionais?

A Latam proibiu máscaras com válvulas e o uso de proteção com lenços e bandanas de pano. Os modelos aceitos são máscaras cirúrgicas, FFP2 (KN95) sem válvulas, FFP3 (N95) sem válvulas e máscaras de pano sem válvulas.

A Azul orienta o uso de máscaras cirúrgicas descartáveis, caseiras de tecido ou máscaras de alta eficiência, com elemento filtrante, como PFF2 ou N95 (sem válvulas).

A Gol informa que somente permite em seus voos a utilização dos seguintes modelos de máscara, seja por passageiros ou colaboradores: máscaras cirúrgicas descartáveis; máscaras modelos FPP2 e N95, ambos sem válvula; e máscaras de tecido com tripla camada.

A restrição para máscaras com válvulas em voos é válida?

A infectologista Roberta Schiavon Nogueira afirma que embora elas ofereçam mais conforto respiratório para quem usa, não têm proteção eficaz dentro do avião contra a covid-19. 

"As máscaras com válvulas dão mais conforto respiratório porque a pessoa que usa exala o ar com mais facilidade, mas se estiver com covid-19, acaba exalando esse ar. Não tem barreira. Protege a própria pessoa, mas não outros passageiros que estão no mesmo ambiente", diz Roberta, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). 

E uso de echarpe, lenço ou bandana nos voos?

Segundo a especialista Roberta Schiavon Nogueira são apenas tecidos de pano e não são considerados totalmente seguros contra o vírus. Por isso, estão sendo proibidos por companhias aéreas e não são aceitos como máscara facial.

"O ideal é usar máscara de tecido duplo ou, preferencialmente, de tecido triplo. Devendo ser feita a higienização logo após o uso", orienta a médica, quando a companhia aérea permite. Ou utilizar as recomendadas, como  PFF2 e N95. Em períodos prolongados de uso, é recomendado que o passageiro substitua a proteção por máscaras limpas ao longo da viagem.

Devo cancelar viagens de avião?

Se a viagem não for essencial, o ideal é adiar. Há possibilidade de infecção no ambiente do aeroporto e mesmo no avião, principalmente em voos de longa duração. A mesma regra vale para viagens de ônibus. Se a viagem for a trabalho, vale verificar a possibilidade de reunião online. No caso de viagens de carro, é mais seguro se for feita só com pessoas da família, mas cuidados com a máscara, distanciamento e higiene das mãos devem ser tomados nas paradas.

Minha cidade ainda não tem restrições de circulação. Devo continuar frequentando bares, restaurantes, shoppings e saindo normalmente?

Segundo o infectologista Marcelo Otsuka, a colaboração da população é importante para evitar que a doença se alastre e novas variantes apareçam. "Não importa se vai fazer lockdown regional, nacional, com restrições maiores ou menores. O importante é que a população e a sociedade comprem a ideia de que vão proteger o próximo. A possibilidade de regiões que não aderiram às medidas de proteção virem a ter problema existe. Se não tomarmos cuidado, chegaremos em uma situação crítica."

Ele recomenda que as pessoas apoiem os estabelecimentos aderindo ao delivery ou compras online.

A realização de cirurgias eletivas deve ser suspensa?

Porta-voz e superintendente executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), que reúne 136 operadoras de saúde com 150 hospitais pelo País, sendo 29 hospitais só na capital e ABC paulista, Marcos Novais, afirma que a situação está muito crítica e piora a cada dia. "Fizemos um levantamento de taxa de ocupação em hospitais de operadoras de saúde com rede própria em São Paulo e ABC, com 992 leitos de UTI e 3.577 leitos clínicos. Estamos com ocupação de 89,9% e 89,7%, respectivamente. Números, porém, que mudam a todo momento.".

Para o porta-voz da entidade, os indicadores já sinalizam para a recomendação de que as cirurgias eletivas devem ser suspensas. "Não podemos correr o risco de pessoas de cirurgias eletivas serem infectadas por covid-19 ou faltar leito para pacientes com covid-19 ou outras doenças em estado de urgência e emergência", diz. No entanto, Novais afirma que as operadoras estão analisando isso junto com a rede de atendimento, seja própria ou credenciada.

Ary Ribeiro, editor do Observatório da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e CEO do Sabará Hospital Infantil, avalia com cautela o adiamento de eletivas. "Ao longo de toda a pandemia, temos conscientizado a população sobre a importância de manter os cuidados com a saúde. É preocupante vermos que a situação ainda não se normalizou. O adiamento de consultas, exames, cirurgias e procedimentos eletivos coloca a vida das pessoas em risco, além de causar impactos no setor de saúde", acrescenta.

Devo cancelar consultas e exames?

No momento, é preciso ir a consultas e fazer exames de acordo com a necessidade. Há casos em que é possível adiar, mas pacientes com doenças crônicas ou que necessitam de algum tipo de acompanhamento devem manter as consultas de rotina.

“Os hospitais, de certa forma, têm direcionado as consultas de rotina e os atendimentos de covid-19. Aqueles que fazem ambos os atendimentos têm alas exclusivas. Tivemos atraso no diagnóstico de câncer porque as pessoas não iam às consultas de rotina e programadas. É preciso fazer acompanhamento de forma consciente”, explica o infectologista Marcelo Otsuka.

Posso mandar meu filho para a escola?

Vai depender da situação de saúde das pessoas que moram com a criança ou adolescente, do acesso do aluno a plataformas para estudar remotamente e da situação de vulnerabilidade, caso das crianças que dependem da merenda escolar, tenham questões de saúde mental ou problemas de aprendizagem. “A criança transmite o vírus, normalmente, menos que os adultos, mas transmite. Se vai voltar para um ambiente com idosos, se possível, é preferível que fique em casa. Temos de pesar o risco de transmissão, o risco pequeno de infecção, mas também o prejuízo neuropsicossocial de não acompanhar as aulas, desnutrição”, avalia Otsuka.

Devo parar de fazer atividades físicas?

Há cidades em que as academias deixarão de funcionar, mas não é necessário interromper atividades físicas. É sempre possível realizá-las ao ar livre e sem aglomeração. A máscara não deve ser retirada se outras pessoas estiverem no mesmo ambiente.

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