Marcos Müller/Estadão
Marcos Müller/Estadão

Guia: Quais são as restrições vigentes?

Companhias aéreas proibiram embarque com máscaras de válvula, definindo modelos de proteção específicos. Se a viagem não for essencial, o ideal é adiar o plano

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

Diante das novas variantes, companhias aéreas proibiram embarque com máscaras de válvula ou de pano?

Sim. Diante do atual cenário da covid-19 no mundo e o surgimento de novas variantes da doença, companhias aéreas decidiram proibir o uso de máscaras com válvulas por parte de passageiros e funcionários. Algumas empresas, mais rígidas, vetaram até o uso de máscaras de tecido, tão popularmente utilizadas em diversos países desde o início da pandemia.

Quais restrições foram adotadas pelas companhias aéreas internacionais?

A Lufthansa exige máscara médica em seus voos entre Brasil e Alemanha. Proteções com filtros externos e de panos não são aceitas.

A Air France não autoriza o embarque de passageiros e tripulantes com máscaras de tecido e as máscaras com válvula. O uso de máscara cirúrgica ou máscara do tipo FFP1, FFP2 ou FFP3 sem válvula é obrigatório a bordo dos aviões.

A Alitalia diz que é obrigatória a utilização constante de máscara cirúrgica de proteção ou máscaras do tipo FFP2 ou FFP3, sem válvula, a bordo de voos com destino à Itália. Máscaras com válvula ou de tecido não são permitidas.

E pelas aéreas nacionais?

A Latam proibiu máscaras com válvulas e o uso de proteção com lenços e bandanas de pano. Os modelos aceitos são máscaras cirúrgicas, FFP2 (KN95) sem válvulas, FFP3 (N95) sem válvulas e máscaras de pano sem válvulas.

A Azul orienta o uso de máscaras cirúrgicas descartáveis, caseiras de tecido ou máscaras de alta eficiência, com elemento filtrante, como PFF2 ou N95 (sem válvulas).

A Gol informa que somente permite em seus voos a utilização dos seguintes modelos de máscara, seja por passageiros ou colaboradores: máscaras cirúrgicas descartáveis; máscaras modelos FPP2 e N95, ambos sem válvula; e máscaras de tecido com tripla camada.

A restrição para máscaras com válvulas em voos é válida?

A infectologista Roberta Schiavon Nogueira afirma que embora elas ofereçam mais conforto respiratório para quem usa, não têm proteção eficaz dentro do avião contra a covid-19. 

"As máscaras com válvulas dão mais conforto respiratório porque a pessoa que usa exala o ar com mais facilidade, mas se estiver com covid-19, acaba exalando esse ar. Não tem barreira. Protege a própria pessoa, mas não outros passageiros que estão no mesmo ambiente", diz Roberta, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). 

E uso de echarpe, lenço ou bandana nos voos?

Segundo a especialista Roberta Schiavon Nogueira são apenas tecidos de pano e não são considerados totalmente seguros contra o vírus. Por isso, estão sendo proibidos por companhias aéreas e não são aceitos como máscara facial.

"O ideal é usar máscara de tecido duplo ou, preferencialmente, de tecido triplo. Devendo ser feita a higienização logo após o uso", orienta a médica, quando a companhia aérea permite. Ou utilizar as recomendadas, como  PFF2 e N95. Em períodos prolongados de uso, é recomendado que o passageiro substitua a proteção por máscaras limpas ao longo da viagem.

Devo cancelar viagens de avião?

Se a viagem não for essencial, o ideal é adiar. Há possibilidade de infecção no ambiente do aeroporto e mesmo no avião, principalmente em voos de longa duração. A mesma regra vale para viagens de ônibus. Se a viagem for a trabalho, vale verificar a possibilidade de reunião online. No caso de viagens de carro, é mais seguro se for feita só com pessoas da família, mas cuidados com a máscara, distanciamento e higiene das mãos devem ser tomados nas paradas.

Minha cidade ainda não tem restrições de circulação. Devo continuar frequentando bares, restaurantes, shoppings e saindo normalmente?

Segundo o infectologista Marcelo Otsuka, a colaboração da população é importante para evitar que a doença se alastre e novas variantes apareçam. "Não importa se vai fazer lockdown regional, nacional, com restrições maiores ou menores. O importante é que a população e a sociedade comprem a ideia de que vão proteger o próximo. A possibilidade de regiões que não aderiram às medidas de proteção virem a ter problema existe. Se não tomarmos cuidado, chegaremos em uma situação crítica."

Ele recomenda que as pessoas apoiem os estabelecimentos aderindo ao delivery ou compras online.

A realização de cirurgias eletivas deve ser suspensa?

Porta-voz e superintendente executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), que reúne 136 operadoras de saúde com 150 hospitais pelo País, sendo 29 hospitais só na capital e ABC paulista, Marcos Novais, afirma que a situação está muito crítica e piora a cada dia. "Fizemos um levantamento de taxa de ocupação em hospitais de operadoras de saúde com rede própria em São Paulo e ABC, com 992 leitos de UTI e 3.577 leitos clínicos. Estamos com ocupação de 89,9% e 89,7%, respectivamente. Números, porém, que mudam a todo momento.".

Para o porta-voz da entidade, os indicadores já sinalizam para a recomendação de que as cirurgias eletivas devem ser suspensas. "Não podemos correr o risco de pessoas de cirurgias eletivas serem infectadas por covid-19 ou faltar leito para pacientes com covid-19 ou outras doenças em estado de urgência e emergência", diz. No entanto, Novais afirma que as operadoras estão analisando isso junto com a rede de atendimento, seja própria ou credenciada.

Ary Ribeiro, editor do Observatório da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e CEO do Sabará Hospital Infantil, avalia com cautela o adiamento de eletivas. "Ao longo de toda a pandemia, temos conscientizado a população sobre a importância de manter os cuidados com a saúde. É preocupante vermos que a situação ainda não se normalizou. O adiamento de consultas, exames, cirurgias e procedimentos eletivos coloca a vida das pessoas em risco, além de causar impactos no setor de saúde", acrescenta.

Devo cancelar consultas e exames?

No momento, é preciso ir a consultas e fazer exames de acordo com a necessidade. Há casos em que é possível adiar, mas pacientes com doenças crônicas ou que necessitam de algum tipo de acompanhamento devem manter as consultas de rotina.

“Os hospitais, de certa forma, têm direcionado as consultas de rotina e os atendimentos de covid-19. Aqueles que fazem ambos os atendimentos têm alas exclusivas. Tivemos atraso no diagnóstico de câncer porque as pessoas não iam às consultas de rotina e programadas. É preciso fazer acompanhamento de forma consciente”, explica o infectologista Marcelo Otsuka.

Posso mandar meu filho para a escola?

Vai depender da situação de saúde das pessoas que moram com a criança ou adolescente, do acesso do aluno a plataformas para estudar remotamente e da situação de vulnerabilidade, caso das crianças que dependem da merenda escolar, tenham questões de saúde mental ou problemas de aprendizagem. “A criança transmite o vírus, normalmente, menos que os adultos, mas transmite. Se vai voltar para um ambiente com idosos, se possível, é preferível que fique em casa. Temos de pesar o risco de transmissão, o risco pequeno de infecção, mas também o prejuízo neuropsicossocial de não acompanhar as aulas, desnutrição”, avalia Otsuka.

Devo parar de fazer atividades físicas?

Há cidades em que as academias deixarão de funcionar, mas não é necessário interromper atividades físicas. É sempre possível realizá-las ao ar livre e sem aglomeração. A máscara não deve ser retirada se outras pessoas estiverem no mesmo ambiente.

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