Marcos Müller/Estadão
Marcos Müller/Estadão

Guia: Qual é a eficácia das vacinas contra as novas variantes?

Risco de mutações escaparem da proteção conferida pelos imunizantes ainda está em estudo. Pesquisas têm apontado eficácia reduzida, mas não totalmente anulada

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h00

As vacinas são capazes de prevenir contra todas as cepas do coronavírus que conhecemos hoje?

Um risco do avanço das mutações do vírus é que elas consigam escapar da proteção conferida pelas vacinas, hipótese que ainda está em estudo. Pesquisas têm sugerido que a eficácia pode ser reduzida, mas não totalmente anulada. 

O que sabemos sobre a Coronavac?

Uma análise preliminar com dados de oito pessoas sugeriu que a variante pode escapar dos anticorpos produzidos pela Coronavac, principal imunizante aplicado no Brasil.

Contra esses efeitos, a doutora em microbiologia Natalia Pasternak pede aceleração na aplicação das vacinas. “As vacinas devem ser usadas em massa o quanto antes porque ainda funcionam. Se vacinar em massa, impedimos novas variantes. Se deixa a doença correr solta sem vacina, corre o risco de aparecerem outras variantes que escapem completamente do que o mercado tem agora (de imunizante) e aí seria preciso redesenhar a vacina”, explicou.

E sobre a vacina da Pfizer e a vacina de Oxford?

"Até agora, a notícia é boa. A Pfizer testou sua vacina com os mutantes do Reino Unido e da África do Sul e funcionou perfeitamente. Até agora, as mutações que apareceram não tornam o vírus tão diferente a ponto de não ser mais reconhecido pela vacina. Mas tem de ficar de olho, porque se aparecer uma muito diferente, vamos precisar adaptar as vacinas", afirma a doutora Natália Pasternak. Vacinas que usam o vírus inativado, como a Coronavac, têm a vantagem de, por usar o vírus inteiro, terem também mais alvos para a vacina, de modo que esse tipo de mutação não deve ser um problema.

Um estudo também mostrou que a vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca não parece oferecer proteção contra doenças leves e moderadas causadas pela mesma variante.

Qual foi a eficácia apresentada pela Johnson & Johnson e a Novavax?

A Johnson & Johnson e a Novavax disseram que suas vacinas foram menos eficazes contra a variante sul-africana em testes clínicos realizados no país. Mesmo representando um impacto positivo, a vacina da Johnson & Johnson teve eficácia menor, de 57%, para casos moderados e graves na África do Sul. Os testes foram realizados quando a variante sul-africana já estava em alta circulação. 

Nos estudos clínicos do imunizante da Novavax no Reino Unido, 50% dos participantes que tiveram covid-19 foram infectados pela nova variante. No país, a eficácia da vacina foi de 85,6%. A taxa foi menor nos testes realizados na África do Sul, que tiveram 49,4% de eficácia. 

Existe a necessidade de reaplicar a vacina futuramente?

Todas as imunizações aparentam oferecer proteção contra doenças graves e morte em relação à covid-19. Como existe o risco de que novas variantes do vírus possam acabar "driblando" a vacina, muitos especialistas estimam que com o tempo, seja necessário atualizar a vacina e reaplicá-la, como ocorre com as vacinas da gripe. 

Vamos precisar de outras vacinas para combater as novas mutações?

Gabriel Maisonnave Arisi, professor na Escola Paulista de Medicina (Unifesp), fala que as vacinas de RNA, tecnologia usada nos imunizantes contra o coronavírus, são revolucionárias porque são adaptáveis. Se for necessária uma nova vacina para combater novas mutações, o processo de fabricação será muito mais rápido. Ele acredita que no futuro as vacinas contra o coronavírus irão proteger contra mais de uma cepa.

Ele explica também que os imunizantes de vírus completo inativado, como a Coronavac, provavelmente são menos vulneráveis às variantes. Já as de adenovírus, como é o caso da vacina de Oxford/AstraZeneca e da Sputnik V, podem ser mais vulneráveis às mutações.

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