CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Há 2 anos, prédio da USP espera por posto da Prefeitura

Unidade cedida não foi aberta por falta de interesse de OS de saúde em administrá-la; gestão diz que vai abrir novo chamamento

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

06 Julho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Um prédio construído pela Universidade de São Paulo (USP) em área vizinha ao Hospital Universitário (HU) está há dois anos fechado à espera da abertura de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O imóvel foi cedido à Prefeitura para a instalação do posto de saúde. Burocracia e falta de interessados em administrar a unidade, porém, fazem o projeto não sair do papel. A unidade ajudaria a melhorar o serviço de saúde na região, já prejudicado pela redução de atendimentos no HU.

O imóvel fica na Rua Baltazar Rabelo, nos fundos do HU, dentro da Favela São Remo, na zona oeste, e já chegou a ser reformado com a padronização de um posto de saúde municipal. O início dos atendimentos, no entanto, segue sem previsão.

Segundo a Prefeitura, embora o acordo com a USP para doação do imóvel tenha ocorrido há dois anos, o processo de cessão só foi finalizado em outubro do ano passado. Em seguida, começou o outro problema: a dificuldade de encontrar uma Organização Social de Saúde (OSS) interessada em geri-lo por meio de um convênio com a Secretaria Municipal da Saúde.

Primeiro, a pasta abriu um chamamento público em busca de uma entidade que aceitasse assumir o projeto. Não houve interessados. Paralelamente ao processo, a Prefeitura propôs à OSS Fundação Faculdade de Medicina (FFM), que atualmente tem contrato para gerir as unidades municipais da zona oeste, um aditivo ao convênio para que cuidasse da nova UBS, o que não foi aceito.

Enquanto a Prefeitura não resolve o problema, os moradores da São Remo reclamam da demora para conseguir atendimento na rede pública. “A UBS mais próxima fica a seis quilômetros daqui e as pessoas têm de madrugar na fila para tentar marcar uma consulta”, disse Givanildo Oliveira dos Santos, de 43 anos, morador da São Remo e gestor de saúde da Supervisão de Saúde Butantã. “Eu tenho uma lista com o nome de 900 mulheres que estão na lista de espera por um papanicolau e não conseguem”, disse ele, referindo-se ao Centro Saúde-Escola Butantã, unidade de atenção básica mais próxima da favela.

Sem agenda. A técnica administrativa Telma Gomes da Silva, de 40 anos, contou que tenta pelo menos há mais de um ano colocar seu nome na fila de espera pelo exame ginecológico. “Eles dizem que vão abrir a agenda do mês em determinado dia, daí a gente vai lá e, quando chega, falam que já acabaram as vagas.”

Também moradora da São Remo, a auxiliar de limpeza Neide Costa Soares, de 43 anos, tenta há seis meses marcar uma consulta com pediatra para o filho. “Ele está com vômito, problemas no estômago, mas dizem que não tem previsão de quando vai ter vaga”, contou.

Santos afirmou que são mais de 60 mil pessoas que moram na favela e que um posto de saúde no local é urgente. “Antes, quando era um caso mais de pronto-atendimento, a gente tinha o HU, mas agora ele só atende se você estiver morrendo.”

Crise. Com a crise financeira da USP, o hospital perdeu cerca de 200 funcionários no Plano de Demissão Voluntária (PDV) da instituição e viu o número de leitos ser reduzido em 20% entre janeiro e abril deste ano. Com a situação precária, o equipamento de saúde tem dado prioridade a casos graves e encaminhado os pacientes com problemas mais brandos para UBSs ou Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs).

A Secretaria Municipal da Saúde informou que vai abrir neste mês um novo chamamento público em busca de OSSs. Procuradas pela reportagem, USP, HU e FFM não quiseram se pronunciar.

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