Há 70 anos, era inaugurado oficialmente o Instituto Adolfo Lutz em São Paulo

Médico controlou surtos de peste bubônica em Santos, cólera e febre tifoide em São Paulo

Rose Saconi, do Arquivo Estado

26 Outubro 2010 | 17h21

SÃO PAULO - O Instituto Adolfo Lutz comemora nesta terça-feira, 26, seu 70º aniversário. O nome foi uma homenagem ao cientista morto no dia 6 de outubro de 1940, que dirigiu o Instituto Bacteriológico desde sua criação, em 1892. Foi naquele ano que o secretário de Interior, Vicente de Carvalho, assinou a lei nº 43 criando o Instituto Bacteriológico e o Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas.

Para dirigi-lo, foi contratado o biologista francês Félix Le Dantec. O pesquisador ficou apenas seis meses no cargo, substituído pelo cientista brasileiro Adolfo Lutz, que havia estudado na Faculdade de Medicina de Berna, Suíça, e feito um curso na Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde teve aulas de zoologia. Na França, em 1878, o cientista matriculou-se na Faculdade de Estrasburgo e estudou os primeiros casos de febre tifoide.

O Instituto Bacteriológico conseguiu, já no início de suas atividades, controlar uma epidemia de cólera, de febre amarela endêmica e um surto de peste bubônica tão graves que os governos europeus chegaram a ameaçar proibir a migração para São Paulo. O instituto realizou uma pesquisa em conjunto com o Hospital Emílio Ribas e comprovou que a febre amarela não era contagiosa e que o mosquito era o vetor da doença.

A chegada da cólera em São Paulo, em 1893, por meio de navios, foi detectada por Lutz na Hospedaria dos Imigrantes, a partir de exames clínicos. Imediatamente, estabeleceu as medidas preventivas para evitar que o mal se espalhasse. Em dois anos, o Estado estava livre do bacilo. "Atacou-se o mal como a um inimigo terrível e conhecido. Foi o Instituto quem o revelou: só esse fato é bastante para elogiá-lo e justificar sua existência", escreveu em artigo publicado no Estado o então governador Cesário Mota.

Em 1908, Lutz foi convidado por Oswaldo Cruz par trabalhar no Instituto de Manguinhos (atual Fundação Oswaldo Cruz). O médico aceitou o convite e lá ficou até sua morte. Vinte dias depois, era inaugurado o prédio atual do instituto, que inclui também o antigo Laboratório de Análises, batizado de Adolfo Lutz, seu maior colaborador.

A cerimônia de inauguração oficial foi aberta pelo então secretário da Saúde, Walter Leser, e contou com a participação do interventor federal do Estado de São Paulo, Ademar de Barros. O primeiro diretor do Adolfo Lutz foi o médico José Pedro de Carvalho Lima. "O novo instituto une hoje os dois serviços sob uma mesma direção, ampliando e criando novas seções, acompanhando dessa forma a evolução da higiene moderna", discursou Lima antes de dar início à visitação do novo prédio.

Saiba mais:

*Em 26 de outubro de 1940, os dois grandes laboratórios públicos foram unidos. Como homenagem póstuma ao importante cientista que dirigira o Instituto Bacteriológico nas primeiras décadas de seu funcionamento, o estabelecimento passou a chamar-se Instituto Adolfo Lutz (IAL);

*À frente do instituto, o médico Adolfo Lutz controlou um surto de peste bubônica em Santos, cólera e febre tifoide em São Paulo. Teve importante participação na formação de novos médicos no País;

*Adolfo Lutz morreu no dia 6 de outubro de 1940 e deixou vários estudos publicados em sua área de especialização.

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