Haddad faz campanha para ajudar OS a contratar profissionais

Polêmica durante a campanha, rede terceirizada recebe agora ajuda da Prefeitura, em ação sem concurso

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h05

O prefeito Fernando Haddad (PT) resolveu embarcar na campanha nacional por mais médicos no País. Desde essa quarta-feira, 25, uma propaganda veiculada em emissoras de TV anuncia a contratação de 1,3 mil profissionais, que serão espalhados por todas as regiões da cidade. As vagas, porém, já estão abertas pelas Organizações Sociais (OSs), que alegam dificuldades em encontrar médicos que aceitem trabalhar na periferia.

Polêmica na eleição do ano passado, a chamada rede terceirizada receberá agora uma ajuda da Secretaria Municipal de Saúde, que, sem lançar concurso público, promete fazer a intermediação entre os interessados e as entidades. "Nós estamos fazendo anúncios, convocando os médicos a preencherem vagas que estão já disponíveis nas organizações sociais. São salários convidativos. Nós estamos fazendo um grande esforço de convocação de médicos, sejam estrangeiros, sejam brasileiros, para atuar na rede municipal", afirmou Haddad, na manhã dessa quarta-feira, 25.

O déficit de profissionais na cidade é de 3,7 mil médicos, de acordo com a Prefeitura. Só nos hospitais da Autarquia Municipal, a demanda é por pelo menos mil profissionais - faltam outros 1.450 na Atenção Básica, área da medicina que é foco do programa Mais Médicos, do governo federal. Apenas 16 foram escalados pelo Ministério da Saúde para atuar na capital - a maior parte deles é de brasileiros formados no exterior.

Responsáveis pela administração de cerca de 350 unidades de saúde, entre hospitais, pronto-socorros e Assistências Médica Ambulatorial (AMAs), as organizações ainda comandam as equipes do Programa Saúde da Família (PSF) na capital. Uma delas serviu de modelo para a propaganda de Haddad na TV. São nove, ao todo, que juntas recebem mensalmente R$ 115,9 milhões dos cofres municipais.

Segundo as entidades, o salário não é o maior empecilho no processo de contratação - ele varia de R$ 10 mil a R$ 14 mil para 40 horas semanais. As OSs afirmam que é difícil encontrar médicos que aceitem trabalhar em unidades muito afastadas do centro, por causa da falta de segurança e do trânsito pesado.

Concurso. A Secretaria de Saúde informou que o concurso público para contratação direta será lançado ainda neste semestre, com a intenção de preencher as vagas existentes nos dez hospitais da autarquia e na rede de Atenção Básica. A seleção terá validade de um ano, com salário inicial de R$ 4.203,13 para jornada de 20 horas, já incluídas as gratificações.

A pasta, no entanto, não informou quando pretende lançar um novo plano de carreira para a categoria, promessa de Haddad.

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