HC testa tratamento inédito contra obesidade mórbida

Prótese é introduzida na parte inicial do intestino delgado e proporciona perda de peso de até 30%

estadão.com.br

13 Julho 2010 | 14h33

SÃO PAULO - Uma nova técnica para tratar obesidade mórbida, em estudo pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria da Saúde de SP, tem alcançado resultados bastante satisfatórios.

Em um ano de estudo, especialistas do serviço de Endoscopia Gastrointestinal do HC realizaram o trabalho com 78 pacientes, e a média de peso perdido aproximou-se de 30%. O tratamento é experimental, de cunho científico, e sua realização na rotina hospitalar ainda não está autorizado no País.

A técnica consiste na introdução de uma prótese endoscópica - feita de material maleável e com 62 centímetros de comprimento - na parte inicial do intestino delgado do paciente. Essa bolsa, conhecida no meio médico como "Manga Endoscópica", evita que a alimentação excedente do paciente passe pelo duodeno, sendo conduzida diretamente do estômago para a etapa final do intestino. Dessa forma, o alimento só terá contato com as secreções bileopancreáticas 62 cm após a entrada normal do intestino.

De acordo com o diretor do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do HC, Eduardo Moura, o modelo utilizado tem níveis de complicações muito baixos. "A implantação da prótese é reversível. Após um ano, ela é retirada do paciente", explica, lembrando que nesse período é importante que haja uma reeducação alimentar, para que após a retirada da bolsa o paciente não volte a recuperar o peso anterior.

"A técnica também pode ser utilizada no período pré-operatório em pacientes que passarão pela cirurgia de redução de estômago. "Com isso, eles chegarão mais bem preparados à mesa cirúrgica, evitando complicações", observa Moura.

O estudo do HC foi programado para atender pacientes obesos, com índice de massa corporal (IMC) acima de 35 e que têm indicação de cirurgia. "Para pessoas com esse perfil, uma redução de 10% já é bastante significativa. Perder 30%, então, é um benefício muito grande", analisa, acrescentando que a obesidade e o sobrepeso têm sido considerados uma "epidemia global" pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Para o ano de 2015, está projetado que aproximadamente 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e cerca de 700 milhões, obesos", afirma o médico.

Controle de diabetes

A nova técnica também tem apresentado resultados importantes no controle da diabete. Ao excluir a etapa digestiva do duodeno, a manga endoscópica desencadeia alterações hormonais que estimulam o pâncreas, aumentando a liberação de insulina. "Esse mecanismo ajuda no controle da diabete tipo 2", ressalta Eduardo Moura.

O Hospital das Clínicas já divulgou a novidade em congressos médicos de diversos países, como Alemanha, Espanha, China, Venezuela, Equador e Colômbia.

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