Hemocentro de Ribeirão Preto tem queda de 25% nas doações

Transplantes não puderam ser feitos por falta de sangue; para amenizar problema, órgão fará plantão no feriado

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2008 | 15h03

O Hemocentro de Ribeirão Preto teve queda de 25% na coleta de doações de sangue entre março e abril. Para amenizar o problema, o Hemocentro fará plantão para captações de doações durante o feriado e o final de semana prolongado, no período matutino, entre 7 horas e 12h30.   Não há falta, mas isso preocupa, pois dois transplantes de fígado foram suspensos no Hospital das Clínicas (HC), no último mês, por falta de uma quantia a mais do produto em estoque. "Nossos estoques estão abaixo dos níveis desejados", afirmou a gerente de captação do Hemocentro, Sebastiana da Silva Bertoso.   A preocupação com o estoque sempre aumenta nos períodos de feriados e finais de semana prolongados, pois as doações diminuem e os acidentes em estradas aumentam. Segundo Sebastiana, os sangues tipo RH negativo e O positivo são os mais necessitados no estoque.   Em Ribeirão Preto, o órgão mantém dois pontos de captação: um no campus da Universidade de São Paulo (USP), ao lado do HC, e outro posto de coleta na região central. Existem ainda unidades de coleta em Serrana, Olímpia, Bebedouro e Batatais, além de quatro núcleos, em Araçatuba, Presidente Prudente, Franca e Fernandópolis. As pessoas interessadas em doar sangue podem consultar endereços e horários de captação pelo telefone 0800 97 96 049.   O Hemocentro está convocando, por telefone, os doadores cadastrados e espera a adesão de mais pessoas - entre 18 e 65 anos e em bom estado de saúde. O órgão processa hemoderivados para 187 municípios do Estado (cerca de 4 milhões de pessoas), atendendo 40 hospitais. Geralmente a captação é de 8 mil doações/mês, mas caiu para 6 mil no último mês.   O coordenador do Grupo de Transplantes de Fígado do HC, Orlando de Castro e Silva, disse que, no final de março, uma cirurgia, que estava no início, foi interrompida porque o paciente estava sangrando muito e precisava de mais estoque.   A equipe médica tinha 30 bolsas de concentrado de hemácias, 40 bolsas de plasma fresco e 20 unidades de plaquetas, mas necessitava de um excedente. "Como não tínhamos, achamos melhor suspender a cirurgia do que correr o risco, que seria uma imprudência", disse Silva.   Assim, o paciente de Ribeirão Preto voltou para a fila de transplante. O fígado foi para um receptor de Campinas. No outro caso, há duas semanas, a cirurgia nem começou e o fígado foi para São Paulo. "É uma pena isso, pois temos poucos doares de órgãos no País", afirmou Silva.

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