Max Whittaker/The New York Times
Max Whittaker/The New York Times

Hemocentros do Rio e de SP começam a estudar uso de plasma para tratar doentes com coronavírus

Essa técnica já foi usada nas epidemias de ebola e H1N1 e surge como mais uma estratégia possível de tratamento para a covid-19

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 13h16
Atualizado 06 de abril de 2020 | 23h46

RIO — Os hemocentros do Rio e de São Paulo começam a estudar nesta semana o uso do chamado plasma convalescente no tratamento de pessoas com quadros graves de covid-19. A ideia é usar o plasma (a parte do sangue com os anticorpos) de pacientes curados para transfusão nos doentes, estimulando o organismo enfermo a combater a infecção. Essa técnica já foi usada em outras epidemias e surge como mais uma estratégia possível de tratamento para o novo coronavírus.

A estratégia foi usada na epidemia de H1N1 em 2008 e na recente epidemia de ebola, na África. Costuma ser usada também na Argentina, nos surtos da febre hemorrágica junim. Os resultados variam muito, provavelmente em função de vários outros fatores. Mas, como não há tratamento específico para a doença, nem vacina, o método está sendo pesquisado para enfrentar o  novo coronavírus.

Um estudo piloto feito na China com dez pacientes e publicado nesta segunda-feira, “sugere que a terapia é segura e seria um tratamento promissor para casos graves de covid-19”. Estudos similares aos brasileiros são conduzidos em França, Canadá, Israel, Espanha  e Estados Unidos.

“É uma alternativa terapêutica promissora que poderá dar uma nova chance a muitas pessoas”, afirmou o secretário de saúde do Estado do Rio, Edmar Santos. “Estamos empenhados em avançar nos estudos e, se os resultados vierem, será mais um meio de salvarmos vidas. Quanto menos pessoas infectadas ao mesmo tempo, menos mortes.”

O diretor do Hemorio, Luiz Amorim, explicou que cada bolsa de plasma coletada pode fornecer tratamento para até três pessoas. O plasma doado pelos pacientes curados ficará na unidade e será distribuído mediante solicitação dos hospitais que tratam casos graves do novo coronavírus. O Hemorio pretende testar a terapia em pelo menos cem pacientes graves.

“Existe um fundamento teórico, existem antecedentes históricos e atuais, mas para saber se vai funcionar ou não e que tipo de paciente poderia se beneficiar desta terapia, só o teste poderá mostrar, afirmou Amorim, acrescentando que não há riscos. “A gente acha que pode dar certo, tem esperança, mas so vamos ter uma ideia melhor dentro de um ou dois meses.”

O secretário de Saúde ressaltou a importância do isolamento social: “Faço mais um alerta para as pessoas ficarem em casa”.

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