AFP/Reprodução
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Hepatite infantil: 'Fiquei desesperada', diz mãe de adolescente que passou por transplante

Garota de 14 anos, de Pernambuco, apresenta melhora gradual; cientistas ainda pesquisam causa da enfermidade

Thatiane Teixeira, especial para o Estadão

23 de maio de 2022 | 22h18

A adolescente de 14 anos que passou por um transplante de fígado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, apresenta "melhora gradual", segundo informou o centro médico nesta segunda-feira, 23. A jovem tinha quadro descrito como semelhante aos casos da hepatite infantil cuja causa ainda é investigada pelos médicos. Uma das hipóteses para a origem da enfermidade, conforme cientistas, é uma reação do corpo à infecção pelo novo coronavírus

A paciente está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do hospital e é um dos cinco possíveis casos de hepatite grave misteriosa em Pernambuco. Ainda de acordo com a unidade, ela deverá passar por um pequeno procedimento cirúrgico nas próximas 24 horas.

"Provavelmente até a terça-feira, 24, começaremos o processo de extubação (retirada da respiração mecânica) para depois, ao longo da semana, a equipe avaliar a alta da UTI.” As informações divulgadas pelo hospital ainda revelaram que os exames laboratoriais indicam que o fígado e os demais órgãos da menina estão funcionando de maneira adequada. 

A agricultora Maria Lucineide da Conceição, de 44 anos, conta ter demorado a aceitar a necessidade da cirurgia para a filha. "Fiquei desesperada. O  médico me chamou e disse que se tratava de um transplante. Ele falou ‘eu não sei quando, mas a senhora vá preparada. Não contei nada para ninguém da minha família", lembra a mãe. 

“Quando apareceu o fígado, fiquei muito aliviada e agradecida. Vou agradecer para o resto da vida", comemora Lucineide. "Minha filha nasceu de novo”, diz ela, que mora em Ibimirim, no interior do Estado. 

A menina recebeu o fígado de um homem de 30 anos, que morreu após traumatismo craniano, no Paraná. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o translado do órgão para o Recife. 

Cerca de 20 médicos especialistas estiveram envolvidos no procedimento cirúrgico, que durou aproximadamente 6 horas. A adolescente apresentava o quadro mais elevado da doença e passou pela cirurgia em estado de coma. A previsão da equipe médica é de que em até um mês a menina receba alta e possa voltar para casa. 

ENTENDA A HEPATITE INFANTIL MISTERIOSA

Um tipo misterioso de hepatite aguda tem despertado a atenção de autoridades de saúde de diferentes países do mundo ao longo das últimas semanas. A doença, que atinge crianças e já é investigada inclusive no Brasil, não é ocasionada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode ter entre as suas causas uma relação ainda não esclarecida entre a covid-19 e um tipo de adenovírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou até esta semana 348 casos da doença. A maioria das crianças apresentou sintomas gastrointestinais, icterícia e, em alguns casos, falência aguda do fígado e morte. O Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar os 41 eventos suspeitos de hepatite aguda infantil de origem desconhecida registrados até agora em território nacional.

A primeira hipótese foi levantada por autoridades de saúde do Reino Unido. Lá, os primeiros casos foram registrados e tratava-se de uma hepatite causada por um adenovírus. Estudos mostraram que até 70% dos doentes testaram positivo para o adenovírus 41F. Ele afeta mais crianças, jovens e pessoas imunossuprimidas. Provoca resfriado ou problemas intestinais. Especialistas notaram também que muitas crianças tinham tido covid-19 antes da hepatite aguda. / COLABOROU ROBERTA JANSEN

 

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