DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Herdeiro do Itaú é eleito novo provedor da Santa Casa de São Paulo

José Luiz Egydio Setúbal, de 58 anos, substitui Kalil Rocha Abdalla, investigado pelo MPE por supostas irregularidades na sua gestão

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

09 Junho 2015 | 12h25

Atualizada às 21h28

SÃO PAULO - Candidato único ao cargo de provedor da Santa Casa de São Paulo, o pediatra José Luiz Egydio Setúbal, de 58 anos, foi eleito nesta terça-feira, 9, por aclamação e definiu como prioridade regularizar as dívidas previdenciárias e trabalhistas da instituição. Com déficit de R$ 440 milhões, a entidade vive a pior crise financeira da sua história.

Herdeiro do Banco Itaú e presidente do Hospital Infantil Sabará, Setúbal assume o mandato de Kalil Rocha Abdalla, que renunciou ao cargo em abril e é investigado pelo Ministério Público (MPE) por supostas irregularidades na sua gestão. O mandato vai até abril de 2017.

Setúbal foi aclamado provedor pelos cerca de 140 membros da Irmandade da Santa Casa presentes na assembleia realizada na manhã desta terça, na sede da entidade, na região central de São Paulo. Ele tomou posse logo após a eleição, substituindo Ruy Altenfelder, que ocupava o cargo de forma interina. “A primeira medida é buscar uma solução para a CND (Certidão Negativa de Débitos), que a Santa Casa não tem. É prioritário também resolver a questão dos salários atrasados e ver se é preciso reduzir pessoal”, disse Setúbal.

Sem a CND, que comprova que uma instituição está em dia com o pagamento de verbas previdenciárias, a Santa Casa não pode firmar novos contratos de prestação de serviços com o SUS, por exemplo. Quanto aos atrasados, Setúbal disse que pretende pagar tudo integralmente, se possível ainda neste ano, incluindo os salários de novembro de 2014 e o 13.º salário. Em reuniões realizadas nos últimos meses na Superintendência do Ministério do Trabalho, a direção da Santa Casa havia proposto aos trabalhadores parcelar em três anos o pagamento dos débitos trabalhistas.

Como já havia afirmado ao Estado, em entrevista publicada nesta terça-feira, 9, Setúbal destacou que será necessário, para enfrentar a crise financeira, reduzir a proporção de atendimentos do SUS no complexo hospitalar, mas afirmou que, para isso, não pretende diminuir o número de pacientes da rede pública. Ele quer ampliar a atividade do Hospital Santa Isabel, unidade privada que pertence à Irmandade. “Vamos aumentar o número de pacientes particulares para gerar mais renda”, afirmou. Hoje, 95% dos atendimentos feitos no complexo são do SUS.

Equipe. Ao contrário do que acontece nas eleições ordinárias, realizadas a cada três anos, não houve nesta terça escolha da nova Mesa Administrativa, formada por 50 irmãos. Foi mantida a composição da instância na gestão de Abdalla, com a inclusão de cinco irmãos alinhados com Setúbal para ocupar postos vagos no órgão.

Os cinco novos membros estavam na chapa de oposição à Abdalla montada por Setúbal na eleição do ano passado, quando o ex-provedor foi eleito para o terceiro mandato. Para os novos membros da Mesa, a ideia agora é esquecer posições contrárias do passado. “Não vai haver dificuldades para trabalhar em conjunto porque a candidatura do Setúbal foi unânime, foi uma forma de trazer a união e recuperar a credibilidade da Santa Casa”, disse o advogado Paulo Motta, um dos irmãos incorporados à Mesa Administrativa.

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