Hibridização de vírus cria variedades perigosas de gripe

Em laboratório, cientistas conseguem combinar o vírus letal da gripe aviária com a gripe comum

Maggie Fox, Reuters,

23 Fevereiro 2010 | 16h25

Pesquisadores que misturaram o vírus da gripe aviária ao da gripe comum e obtiveram três novas cepas extremamente virulentas, num lembrete de que os vírus de gripe podem trocar genes e criar novas gerações mais perigosas.

 

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O experimento, descrito no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que, à medida que a gripe suína H1N1 perde força, outras formas da doença continuam a circular e podem surgir de surpresa.

 

Um comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) está reunido para decidir se a pandemia do vírus H1N1  já atingiu seu nível máximo. Mas cientistas concordam que o H1N1 pode mudar, retornar sob uma nova forma ou recombinar-se com outra cepa de gripe. 

 

E o vírus H5N1 da gripe aviária continua a circular. Ele já infectou 478 pessoas e matou 286, desde que reapareceu na Ásia em 2003.

 

Essa variedade em especial preocupa os especialistas, porque é altamente letal quando infecta seres humanos. Eles temem que o H5N1 possa sofrer uma mutação ou trocar genes com outras variedades, tornando-se mais capaz de contaminar pessoas.

 

Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de  Wisconsin-Madison, e colegas fizeram misturas do H5N1 com o vírus de gripe comum H3N2.

 

Pesquisadores ainda não entendem todos os fatores que tornam o vírus da gripe tão capaz de causar doença, tão virulento e tão fácil de transmitir.

 

Por conta disso, a equipe de Kawaoka usou um método de tentativa e erro para trocar os genes entre os vírus, e conferindo se iria surgir uma variedade tão transmissível quanto o H3N2 e tão letal quanto o H5N1.

 

Eles geraram 254 diferentes cepas, e descobriram que uma mutação de uma variedade do H3N2 descoberta em Tóquio dava ao vírus a capacidade de infectar com facilidade.

 

Testes em camundongos mostraram que 22 cepas eram mais patogênicas que o vírus H3n2 comum - isto é, eram mais eficientes para causar doença. Três eram também mais virulentas - significando que matavam com mais facilidade - nos animais testados.

 

"Nossos dados demonstram que o arranjo entre um vírus aviário H5N1, pouco patogênico em camundongos, e um vírus humano poderiam resultar em vírus altamente patogênicos", escreveram os pesquisadores.

 

"Nossas descobertas destacam a importância de programas de vigilância para monitorar a emergência de vírus humanos H5".

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