HIV pode desaparecer dentro de uma década, diz estudo

Isso aconteceria se todas as pessoas de países muito contaminados fizessem exames e recebessem tratamento

AP

25 de novembro de 2008 | 21h56

O vírus que causa a aids poderia ser eliminado em uma década se todas as pessoas que moram em países com altas taxas de infecção fizessem exames regulares e recebessem tratamento, de acordo com um novo modelo matemático. Veja também: Estudo mostra que sobrevida de pacientes com aids dobrou Aids depois dos 50 anos tem recorde em São Paulo Trata-se de uma interessante solução para a epidemia de aids, mas baseia-se em pressuposições, e não em fatos, e está cheia de dificuldades logísticas. A pesquisa que aponta essa saída foi publicada nesta terça-feira, 25, no website da revista Lancet. "Trata-se de um resultado surpreendente", disse um especialista em aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), Charlie Gilks, e que é um dos autores do artigo. "Em um tempo relativamente curto, poderíamos potencialmente derrubar a epidemia". Gilks e seus colegas usaram dados da África do Sul e do Malavi. No modelo, as pessoas submetiam-se voluntariamente a exames a cada ano, e recebiam medicação imediatamente se o teste desse positivo para HIV. Em dez anos desse regime, a taxa de infecção cairia em 95%. Outras iniciativas, como educação sexual e circuncisão masculina, também foram usadas na simulação.  A estratégia cortaria o total de mortes por aids entre 2008 e 2050 em cerca de 50%, de 8,7 milhões para 3,9 milhões, transformando a aids numa doença de casos esporádicos. Especialistas estimam que o custo da estratégia seria de US$ 3,4 bilhões ao ano, embora a despesa possa cair depois de feito o investimento inicial.  Cerca de 3 milhões de pessoas recebem medicação contra a aids hoje em dia. Cerca de 7 milhões aguardam tratamento, e mais 3 milhões foram infectadas no ano passado. A OMS estima que 33 milhões de pessoas são portadoras do HIV. Aumentar o acesso a exames e á medicação aumentaria a pressão sobre os sistemas de saúde da África, que concentra a maioria dos casos. "Não é o m,esmo que dar antigripal para todo mundo", disse Jennifer Kates, diretora de política de HIV da Kaiser Family Foundation, nos Estados Unidos. Uma vez que alguém comece a tomar as drogas contra o HIV, o tratamento precisa continuar indefinidamente. Tratar com drogas todas as pessoas com exame positivo também poderia estimular resistência no vírus. A OMS destaca que o estudo não implica uma mudança na política de combate à aids. "Trata-se apenas de um exercício teórico", disse Kevin DeCock, diretor do departamento de HIV/Aids da organização. Tratamento A luta contra a aids tem um novo aliado em um novo tratamento desenvolvido na Espanha, que não evita a infecção pelo vírus HIV, mas protege contra o desenvolvimento da doença, e que será submetido a testes. O tratamento foi desenvolvido pela equipe do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), dirigida por Mariano Esteban, e tomou como base o subtipo B do HIV, que é o mais encontrado na Europa e em outras regiões do mundo. O teste, coordenado pelo Hospital Clínico de Barcelona, começará em janeiro e contará com 30 voluntários não infectados. Desses, 24 receberão a dose do tratamento, que é aplicado como uma vacina (MVA-B), enquanto os outros servirão apenas como grupo de controle. Mariano Esteban explicou hoje em entrevista coletiva que o tratamento envolve quatro antígenos modificados (gag, pol, env e nef), as substâncias que desencadeiam a formação de anticorpos no organismo, que foram modificados a partir destas variantes do vírus e que serão inoculados através do vetor transportador poxvírus MVA. O método de aplicação, semelhante a uma vacina, "não pode provocar em nenhum caso a infecção por HIV dos voluntários", pois é desenvolvido "como uma proteína sintética que se expressa dentro da célula" que, ao ser incorporada como material genético, não continua no organismo, explicou o diretor da equipe de cientistas. Felipe García, responsável do serviço de doenças infecciosas do hospital de Barcelona, e Juan Carlos López Barnaldo de Quirós, do Hospital Gregorio Marañón, de Madri, explicaram que, com o teste, esperam verificar se o organismo é capaz de gerar respostas de defesa frente a estas proteínas do HIV. Se for comprovada sua capacidade de gerar defesas, em testes futuros, que poderiam durar vários anos, seria possível atestar sua eficácia na luta contra a aids, disseram García e Quirós. Os cientistas especificaram que o método não previne o vírus do HIV, e que o que buscam é "que, uma vez infectados, os pacientes não desenvolvam a aids, pois seus sistemas imunológicos estarão fortalecidos e os protegerão". Um dos cientistas explicou à Agência Efe que 0,5% dos pacientes infectados por HIV não chegam a desenvolver a doença, os chamados não-progressores, e o que esse método procura é reproduzir essa situação. O teste começará em janeiro e os voluntários receberão três doses no período de cinco meses, e, durante esse intervalo, eles serão submetidos a exames de sangue para ver se geram defesas. Segundo os pesquisadores, os testes desse método só serão feitos após ele ter sido experimentado em ratos e macacos, e de ser comprovada sua segurança e capacidade de induzir respostas imunes que protegem do vírus da imunodeficiência de símios, semelhante ao HIV. O acompanhamento dos voluntários, que terão entre 18 e 55 anos, não poderão estar vacinadas contra varíola e com baixo risco de infecção por HIV, durará um ano, e os primeiros resultados poderiam ser divulgados a partir de maio. Desde que surgiu, na década de 1980, a aids causou a morte de mais de 25 milhões de pessoas e, atualmente, há cerca de 40 milhões de infectados no mundo todo. (Com Efe)

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