Pedro Chavedar/Divulgação
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'Homem de gelo' no Ibirapuera incentiva doação de órgãos

Ação do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo quer sensibilizar população; número de doadores caiu no 1º semestre

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2015 | 09h00

SÃO PAULO - O gelo que derrete aos poucos representa a vida passando até chegar ao fim. Mas um órgão intacto mostra que ela pode ter continuidade em outro corpo e dar início a uma nova história após a doação. "A vida continua. Doe órgãos" é a mensagem que carrega o homem de gelo, ação do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo que será levada ao Parque do Ibirapuera neste domingo, 27, quando é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

A atividade, que já foi realizada em março deste ano na região central, vai começar às 7 horas na marquise do parque e deve terminar por volta do meio-dia. Além do homem de gelo, o evento terá a presença de um médico, que vai tirar dúvidas sobre a doação de órgãos, a partir das 8 horas.

"Vamos explicar para a população como a doação de órgãos pode ocorrer e falar sobre a transparência dessa terapêutica. Ela só é feita com a certeza de que o potencial doador já tem morte cerebral. Não existe a possibilidade de uma pessoa que não teve a morte encefálica ser doadora", explica André Ibrahim David, coordenador do serviço de transplante hepático do hospital.

Segundo David, o futuro receptor também pode acompanhar a sua situação na fila para receber um órgão de forma confiável. "Em relação à transparência de receber o órgão, o paciente recebe um número para entrar no site e olhar a posição dele em relação a outros receptores."

Embora a população brasileira já tenha mais conhecimento sobre a importância do ato, a doação de órgãos ainda enfrenta resistência. "O maior problema é a recusa da família, responsável por 44% dos procedimentos que não são feitos."

David diz que, no primeiro semestre deste ano, o levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) indicou uma queda no número de procedimentos. "Pela primeira vez, desde 2007, houve uma diminuição de doadores por milhão no País."

De acordo com o balanço, a taxa de notificação de potenciais doadores foi de 49 por milhão da população (pmp) no primeiro semestre de 2014, número que caiu para 46,5 pmp no mesmo período deste ano. A taxa de doadores efetivos ficou 21% abaixo da esperada.

Autorização. David explica que não é necessário deixar um documento ou qualquer notificação por escrito para se declarar doador de órgãos, mas é fundamental comunicar essa vontade à família.

"Basta um comentário a respeito do tema. Se acontecer alguma coisa, a família vai se lembrar desse momento."

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