Homem de Neandertal e Homo sapiens conviveram e deixaram descendentes, diz estudo

Pesquisadores alemães acreditam que ambos têm origens que separaram há 400 mil anos

Efe

12 de agosto de 2010 | 15h12

BERLIM - O homem de Neandertal, espécie hominídea extinta presumivelmente há 30 mil anos, conviveu com os primeiros homens modernos e, dessa relação, houve descendentes, segundo um estudo do Instituto Max-Planck de Leipzig (leste da Alemanha) antecipado pela revista P.M. Magazin.

A publicação divulga uma pesquisa que foi iniciada há quatro anos pelo instituto e estabelece que o Homo neanderthalensis - que habitou principalmente a Europa e algumas zonas da Ásia ocidental - não desapareceu repentinamente, como asseguravam até agora os especialistas, e se misturou com o Homo sapiens. As pesquisas alemãs partem, além disso, da suposição de que o Homo sapiens e o Homo neandertalis têm origem em linhagens que se separaram há pelo menos 400 mil anos.

Em 2006, estudiosos de evolução antropológica do Max-Planck, liderados pelo geneticista paleontólogo Svante Pääbo, localizaram ossos em uma caverna na Croácia que foram comparados com restos encontrados no noroeste da Espanha e no sul da Rússia.

Os pesquisadores decidiram, então, comparar o genoma dos neandertais com o do homem atual. Assim, descobriram que parte da genética daquela espécie hominídea de aspecto robusto, com 1m65 de altura máxima e extremidades curtas, ainda permanece no Homo sapiens.

"É certo que tivemos filhos com os neandertais", garante Gerd Schmitz, que faz parte da equipe de pesquisa do Max-Planck.

Em 2009, Pääbo e sua equipe anunciaram que tinham conseguido decifrar cerca de 63% dos dados genéticos do neandertal. Os pesquisadores de Leipzig conseguiram decodificar a sequência de mais de 3 bilhões de bases de DNA, tomando como material de partida mostras ósseas de seis homens de Neandertal.

A maior parte do material procedia de uma jazida na caverna de Vibndija, na Croácia. Também foram usadas para o estudo mostras da caverna de Sidrón, nas Astúrias (Espanha); de uma jazida em Mezmaiskaya, no sul da Rússia; e um esqueleto de 40 mil anos encontrado no próprio vale de Neandertal (Alemanha), que deu nome à espécie.

O grupo de Päabo evitou a contaminação do material genético do Neandertal com material genético humano durante o processo. Outra das questões que poderiam ser resolvidas, caso os cientistas consigam decifrar o genoma completo, é o enigma do desaparecimento do homem de Neandertal, há cerca de 30 mil anos.

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