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Homem moderno deixou a África 65 mil anos antes do que se pensava

Cientistas descobriram ferramentas de pedra com 100 mil a 125 mil anos na Península Arábica

Reuters

27 Janeiro 2011 | 18h10

FRANKFURT - O Homo sapiens deixou a África em direção à Arábia cerca de 65 mil anos antes do que se pensava, e esse êxodo foi motivado por fatores ambientais em vez de tecnologia, disseram cientistas nesta quinta-feira, 27.

Os resultados do estudo, que será publicado na edição desta semana da revista Science, sugerem que os migrantes seguiram uma rota direta da África para a Península Arábica, e não viajaram pelo vale do Nilo ou Oriente Médio, como indicavam trabalhos anteriores.

Uma equipe internacional de pesquisadores avaliou um conjunto de ferramentas antigas que incluía machados, perfuradores e raspadores encontrados no sítio arqueológico de Jebel Faya, nos Emirados Árabes Unidos.

"Nossos achados devem estimular uma reavaliação dos meios pelos quais nós, seres humanos modernos, nos tornamos uma espécie global", afirmou Simon Armitage, da Universidade de Londres, que participou do estudo.

Usando datação por luminescência - técnica que determina quando partículas minerais foram expostas à luz solar pela última vez -, os cientistas descobriram que as ferramentas de pedra têm entre 100 mil e 125 mil anos de idade.

Embora a data exata de saída da África do homem moderno tenha sido assunto de muitos debates, evidências anteriores apontam que o êxodo ocorreu ao longo da costa do Mar Mediterrâneo ou Arábico há cerca de 60 mil anos.

Hans-Peter Uerpmann, da Universidade Eberhard Karls em Tübingen, Alemanha, que liderou a pesquisa, explicou que a perícia descartou a possibilidade de as ferramentas terem sido feitas no Oriente Médio.

Segundo ele, esses instrumentos lembram os fabricados por seres humanos primitivos da África Oriental, sinalizando que "nenhuma realização cultural específica demandou que as pessoas deixassem a África".

O trabalho mostra que fatores ambientais, como o nível do mar, eram mais importantes que as inovações tecnológicas para incentivar a migração. Os autores analisaram o nível do mar e registros de mudanças climáticas preservados na paisagem desde o último período interglacial - há cerca de 130 mil anos - para delimitar quando os humanos cruzaram a Arábia.

Eles descobriram que o Estreito Bab-el-Mandeb, entre a Arábia e a África, teria se tornado mais estreito naquele momento, como os níveis do mar mais baixos, proporcionando uma rota segura para fora da África, tanto antes quanto no início desse período interglacial.

Uerpmann disse que o estreito pode ter sido transitável na maré baixa, o que torna provável que os humanos modernos caminhassem por ele ou viajassem em balsas ou barcos.

Anteriormente, pensava-se que os desertos da Península Arábica teriam impedido um êxodo da África, mas o novo estudo sugere que a região se tornou mais úmida durante o período interglacial, com mais lagos, rios e vegetação, facilitando a sobrevivência do homem nessa travessia.

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