Homem morre após queda em UTI na capital; polícia vai investigar

Paciente de 65 anos que seria submetido a exame após enfarte teria caído de uma poltrona; ele não poderia estar sozinho

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A Polícia Civil e a direção do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo investigam o atendimento prestado a um paciente de 65 anos que morreu após sofrer uma queda dentro de uma unidade de cuidados intensivos do hospital.

Internado com dores no peito no dia 20 de abril, o aposentado Francisco Antônio Fonseca foi diagnosticado com um enfarte leve e permaneceu na unidade para a realização de um cateterismo. Ele foi encaminhado para a unidade coronariana do hospital, uma espécie de UTI onde não é permitida a presença de acompanhantes da família, pois o cuidado da equipe médica deve ser permanente.

Quatro dias após Fonseca dar entrada no hospital, porém, ele sofreu traumatismo craniano ao cair de uma poltrona. "Meu pai entrou andando e falando no hospital para um procedimento simples e, de um dia para o outro, já não falava mais, não estava mais lúcido e tinha vários hematomas", conta a dona de casa Andreia Paula Fonseca, de 41 anos, filha do paciente.

"E o pior é que nenhum médico teve o cuidado de nos contar o que havia acontecido. Quando cheguei e o vi todo roxo, tive de ir procurar a equipe para me explicar o que havia acontecido", conta a aposentada Mercia Jeanine Tibério Fonseca, 64 anos, mulher do paciente.

Após sofrer a queda, Fonseca piorou. Ele acabou adquirindo uma infecção generalizada e morreu no dia 8 de maio. A família registrou um boletim de ocorrência por negligência médica. "Meu pai ficou em estado grave depois da queda. Por causa do enfarte, eles deveriam dar um medicamento para afinar o sangue, mas isso não foi possível por causa de um coágulo que se formou no cérebro após a queda. Se dessem esse medicamento, o coágulo poderia se espalhar", diz a filha de Fonseca.

Apuração. Procurada pelo Estado, a direção do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), que administra o hospital, confirmou a ocorrência da queda e disse que ela aconteceu quando o paciente tentou se levantar sozinho de uma poltrona. O órgão confirmou que o paciente deveria estar assistido permanentemente e que, por isso, abriu sindicância para apurar o ocorrido.

Informou que "a queda ocasionou um leve traumatismo craniano, sem necessidade de intervenção cirúrgica" e que "em decorrência do quadro clínico do paciente, que era hipertenso, diabético e idoso, ele contraiu uma infecção generalizada e veio a óbito". O Iamspe afirmou que as circunstâncias da queda serão "amplamente divulgadas após a conclusão da investigação interna".

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