Homem teve contato com vírus misterioso e não é monitorado

Especialista disse ao jornal britânico 'The Guardian' que infecção por arenavírus é improvável

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

05 de dezembro de 2008 | 19h18

O contador aposentado Sergio Pires, de 65 anos, que ficou internado na Casa de Saúde São José, no quarto vizinho ao do engenheiro sul-africano William Erasmus, disse não ter sido procurado por nenhum representante do Ministério de Saúde e que não está entre as 75 pessoas que estão sendo monitoradas por terem tido contato o morto.   Veja também: Saúde descarta hepatite viral e hantavirose em africano Corpo de empresário sul-africano é cremado no Rio Pessoas que tiveram contato com sul-africano mantém rotina Exames de sul-africano que morreu no Rio vão demorar 4 dias Sul-africano que morreu no RJ pode ter sido infectado na África  Empresário sul-africano é vítima de febre hemorrágica no Rio    Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, a diretora do Instituto Nacional de Doenças Comunicáveis da África do Sul, Lucille Blumberg, disse considerar pouco provável que o engenheiro sul-africano William Erasmus tenha morrido por causa de uma infecção por arenavírus.   "Acho pouco provável. Não há fator de risco, mas é preciso um teste com resultado negativo para excluir totalmente a possibilidade", disse ela, acrescentando que, caso a infecção fosse causada pelo mesmo arenavírus desconhecido que matou cinco pessoas num hospital de Johannesburgo, o engenheiro teria adoecido antes de viajar ao Brasil.   "O período de incubação do vírus não é maior do que 21 dias", afirmou a médica sul-africana.   Os exames de sangue e biópsia no fígado do engenheiro estão sendo realizados pela Fundação Oswaldo Cruz e devem ficar prontos no início da semana que vem. O arenavírus é um grupo altamente contagioso de vírus, transmitido por roedores, que eventualmente contamina seres humanos e pode ser transmitido através de secreções e fluidos corporais como sangue, urina, suor e vômito.   Erasmus morreu na terça-feira, 2, de febre hemorrágica aguda, provocada por um vírus desconhecido. Exames preliminares já descartaram a possibilidade malária, dengue, ebola, hantaviroses e hepatites. A principal suspeita é a de que ele tenha contraído um tipo desconhecido de arenavírus, que matou quatro pessoas na clínica Mornig-Side, em Johannesburgo. Erasmus se internou no mesmo local para uma cirurgia de ombro em outubro, quando ainda ocorria o surto.   Pires disse ter ficado impressionado coma rapidez com que o quadro clínico do sul-africano piorou. No sábado, 29, quando o viu pela primeira vez, Erasmus estava tomando um suco de pé no quarto. "Nem parecia que ele tinha nada".   No domingo, 30, enquanto caminhava pelo hospital para se recuperar da cirurgia, Pires percebeu uma agitação de médicos e enfermeiros. "Vi um médico com a camisa cheia de sangue no quarto dele". Na terça-feira, 2, o sul-africano havia morrido.   O contador disse ter ficado preocupado porque uma das primeiras suspeitas era de que a morte tivesse sido provocada pelo vírus Ebola. Mas logo depois uma enfermeira da casa de saúde foi a seu quarto lhe tranqüilizar. Ela assegurou que todos os equipamentos e materiais médicos eram esterilizados de acordo com rígidas normas de segurança.   O quarto do engenheiro foi lacrado logo depois da morte. "Não tenho nenhuma crítica ao hospital, só acho que ele não deveria ter sido colocado no andar de urologia, assim como eu, mas não havia vagas em outros andares", afirmou. 

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