DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Hospitais de São Paulo preparam cartilha única para o coronavírus

Foi dado um alerta para que os hospitais isolem os casos suspeitos e os profissionais de saúde utilizem os equipamentos de proteção, segundo federação

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - Hospitais de São Paulo já se mobilizam para padronizar cartilhas sobre o novo coronavírus e recebem alertas sobre como isolar casos suspeitos. Diretor da Federaçāo dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), Luiz Fernando Ferrari diz que, desde dezembro, o avanço da doença e as ações para receber os casos suspeitos estão sendo debatidos com os associados.

De acordo com Ferrari, que também é vice-presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), as entidades, que representam 55 mil serviços de saúde da rede privada do Estado, planejam padronizar cartilhas sobre o tema.

"Na semana passada, a gente se reuniu com os sindicatos dos empregados e o patronal para fazer cartilhas conjuntas de comunicação para os funcionários e gestores de hospitais. Estamos acompanhando os alertas dados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde."

Segundo Ferrari, foi dado um alerta para que os hospitais isolem os casos suspeitos e que os profissionais de saúde utilizem os equipamentos de proteção individual ao lidar com esses pacientes.

"Deve ser feito o isolamento respiratório do paciente, com uso de máscara, e os funcionários devem usar os métodos de precaução universais: luvas, óculos, o avental não-estéril e a máscara cirúrgica, a máscara comum. As pessoas que mexerem com ele precisam estar com um aparato. Não é a N95, que é para procedimentos invasivos, como intubação e aspiração."

O diretor da federação explica que, neste momento em que não há transmissão local do vírus, não existe a recomendação de que esses métodos sejam adotados por todos os funcionários.

"Se todo mundo começar a usar máscara, não vai ter produção suficiente. É preciso fazer uma boa barreira com quem está com suspeita, diagnóstico rápido e a higiene do hospital. Os hospitais sempre estiveram preparados, porque a gente vive lidando com epidemias."

O Hospital Israelita Albert Einstein, que recebeu o primeiro caso da doença no País, informou que acompanha a situação do novo coronavírus desde o início da epidemia.

"O hospital, que conta com os mais avançados recursos diagnósticos e assistenciais para os atendimentos que se fizerem necessários, inclusive os mais graves, vem atuando no treinamento intensivo de seus colaboradores com o objetivo de assegurar a oferta de atendimento adequado, bem como a segurança de pacientes, familiares e funcionários", informou, em nota.

No Hospital Sírio-Libanês, pacientes recebem a orientação em três idiomas sobre como agir caso desconfiem que estão com a doença. "Desde que começaram a sair os alertas do Ministério da Saúde, em janeiro, foi criado um comitê de crise e foi colocada a sinalização em português, inglês e mandarim para que ele se identifique, retire uma máscara cirúgica e use o álcool em gel", explica Mirian Dal Ben, infectologista do hospital.

Caso sejam identificados os sintomas da doença e se a pessoa tiver visitado um dos países com transmissão do vírus, o paciente é transferido para um quarto especial para evitar que ele circule pelas instalações do hospital. Os profissionais também foram orientados a adotar medidas de segurança, além do uso do equipamento de proteção.

"Há uma ordem de retirada. Eles respeitam uma sequência para evitar a contaminação. Primeiro, tiram as luvas e higienizam as mãos. Depois, o avental descartável e higienizam as mãos de novo. Por fim, tiram os óculos de proteção e a máscara."

China cria medidas para cuidar de equipes médicas

Epicentro da epidemia, a China elaborou um documento com medidas para cuidar das equipes médicas que estão atuando nos casos do Covid-19, como aumento salarial, oferta de refeições nutritivas e transporte, garantia de tempo de descanso e atendimento psicológico.

Segundo a agência oficial do governo chinês, que divulgou as informações na última segunda-feira, 24, as autoridades chinesas classificaram que a luta contra a doença está em uma "fase crítica" e que todos os departamentos devem focar na proteção e no cuidado dos profissionais, tendo em vista o alto risco de infecção e a pressão no trabalho.

Para os médicos que forem infectados, haverá compensação com seguro de acidente de trabalho e, em caso de morte, os profissionais serão homenageados como mártires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.