Hospitais investem no público 5 estrelas

O Hospital São José, recém-inaugurado em São Paulo, mais parece um hotel cinco-estrelas. Lobby luxuoso, apartamentos de 75 metros quadrados com sala de estar e varanda, localização privilegiada num prédio de nove andares cercado de árvores centenárias e tecnologia de ponta em diagnóstico por imagem. Faz parte de um segmento que não pára de crescer no País - o de hospitais top de linha, concebidos para atender a um público que tem convênio médico especial e está acostumado a luxo e conforto. Já são 34 cinco-estrelas no Brasil, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados. A concorrência é mais acirrada em São Paulo. O São José, por exemplo, localizado na Bela Vista, integra o complexo da Beneficência Portuguesa - uma instituição tradicionalmente voltada para o grande público e que, até agora, estava fora desse nicho sofisticado. Os pacientes do sistema público de saúde, o SUS, respondem por 60% do atendimento. Os demais são de classe média, clientes de planos de saúde. 'Desospitalização' Para entrar na briga por esse mercado, a Beneficência investiu US$ 8 milhões em equipamentos no São José. "Montamos o hospital mais moderno do País. Nosso objetivo é concorrer com o Sírio-Libanês, o Albert Einstein e o Incor", diz o empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente da Beneficência Portuguesa. Dos 111 leitos do São José, 70 são para internação. O hospital dispõe de 14 vagas na UTI, 6 na semi-intensiva e 7 salas cirúrgicas. Pode parecer contraditório, mas um dos motivos para o atual boom dos hospitais top de linha é um fenômeno conhecido como desospitalização. Isso porque o maior faturamento dos hospitais se dá nos primeiros dias de internação. Se a instituição não tem recursos de diagnóstico e cirúrgicos de ponta, perde pacientes e receita. Há dez anos, o paciente que se submetia a uma cirurgia de vesícula, por exemplo, ficava cinco dias internado. Hoje, sai no dia seguinte. Para tratar de uma endocardite (inflamação no coração), a média era de um mês de internação. Atualmente, depois de dias internado, o paciente continua o tratamento em casa, com antibióticos. "As chances de um hospital modesto sobreviver são cada vez menores", avalia Carlos Suslik, coordenador do MBA em Gestão de Saúde do Ibmec São Paulo. Um levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados mostra que os hospitais cinco-estrelas oferecem sete tomógrafos e seis aparelhos de ressonância para cada mil leitos. Nos hospitais mais modestos, essa relação é de 1,26 máquina de ressonância e de 4,4 tomógrafos por mil leitos. Em nome da humanização, os top de linha investem também no ambiente. A idéia é fazer com que o paciente e os familiares não percebam que estão num hospital. Nas UTIs do São Luiz, do Santa Catarina, do Albert Einstein e do Hospital do Coração, por exemplo, os aparelhos ficam atrás do leito, escondidos do paciente. Quartos têm janelas amplas,que permitem a iluminação natural. Ao contrário do que se imagina, muitos desses hospitais são filantrópicos e participam da saúde pública. "Eles têm isenções de impostos se investem em programas públicos", diz Suslik, do Ibmec. O Samaritano, por exemplo, participou do último mutirão ginecológico gratuito da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. O Sírio-Libanês capacita médicos da Prefeitura e o Einstein abriga a maior equipe de transplante de fígado - 90% dos transplantes são pagos pelo SUS.

Agencia Estado,

08 de setembro de 2006 | 09h07

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