- 24/03/2021
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Hospitais públicos e privados têm alta nas internações de crianças por covid

Com avanço da variante Ômicron e diante das baixas taxas de vacinação infantil no País, unidades de saúde precisam abrir novos leitos para dar conta da alta demanda

Julia Marques, Heliana Frazão e Marina Rigueira, especial para o Estadão

27 de janeiro de 2022 | 05h00

Hospitais públicos e privados em várias partes do País relatam aumento do número de internações de crianças e adolescentes pela covid-19 e abrem leitos para dar conta da demanda. Com o avanço da variante Ômicron, altamente transmissível, e ainda baixas taxas de vacinação infantil, a população pediátrica se torna mais vulnerável à doença. 

No Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista, são dez pacientes menores de 18 anos internados com a covid-19 – oito deles em unidades de terapia intensiva (UTIs). Um mês atrás, não havia nenhum. Já no Sabará Hospital Infantil, o número de crianças e adolescentes internados com suspeita ou confirmação de covid triplicou do fim do ano passado até quarta-feira, 26. 

"A covid não é leve em crianças. Estamos vendo isso pelo número de crianças internadas", diz Linus Fascina, gerente-médico do Departamento Materno-Infantil do Einstein. No hospital, os leitos são disponibilizados conforme a demanda. Segundo o médico, as crianças têm quadros de diarreia e inflamações e, em alguns casos, podem precisar de tratamento intensivo para receber hidratação e remédios. 

"(A covid-19) pode afetar a musculatura do coração, uma ou outra criança precisou de drogas que ajudassem o coração a bater com intensidade mais adequada." Também preocupam os casos de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças, complicação que ocorre de duas a quatro semanas após a infecção e se manifesta por inflamações na pele e problemas cardíacos. 

Na semana passada, o governo paulista informou que as internações de crianças e adolescentes em leitos de UTI pelo coronavírus no Estado aumentaram 61% nos últimos dois meses. Na quarta-feira, a ocupação de leitos de UTI pediátricos era de 60%, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. 

Outros Estados, como o Amazonas, também tiveram alta nas internações infantis. Só em Manaus, havia cinco crianças internadas em UTIs com a covid-19 e 49 em leitos de enfermaria na terça-feira, segundo boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Vinte e cinco dias atrás, não havia crianças internadas em UTIs para covid-19 em Manaus e, em leitos clínicos, eram três. A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que vem ampliando os leitos de UTI e de enfermaria. 

No Distrito Federal, todos os nove leitos de UTI pediátricos para doenças que exigem isolamento estão ocupados – quatro deles com crianças já diagnosticadas com covid-19. 

Já na Bahia, dos 29 leitos de UTI pediátrica, 27 estavam ocupados (93%). A taxa era um pouco menor, de 78%, para as enfermarias. Referência no tratamento de doenças infectocontagiosas, o Hospital Couto Maia, na capital baiana, pretende usar até um centro cirúrgico desativado para abrir nova ala com mais dez leitos de enfermaria pediátrica por causa da grande demanda.

"Essa é a primeira vez que precisamos aumentar o número de leitos pediátricos no hospital. Houve um período da pandemia em que chegamos a desativar leitos pediátricos para atender à maior demanda de pacientes adultos. Agora estamos vivendo uma situação contrária", diz Ceuci Nunes, diretora do Couto Maia. 

Em Curitiba, o Hospital Pequeno Príncipe, referência no atendimento de crianças e adolescentes, já tem mais casos confirmados de covid-19 nos 26 primeiros dias deste ano do que em todo o ano de 2020. Dos dez leitos de UTI, sete estão ocupados. 

Vacina

Na última quarta-feira, em Belo Horizonte, a prefeitura anunciou a abertura de 12 leitos de UTI para adultos e dez pediátricos. Também adiou em uma semana o início das aulas presenciais para crianças entre 5 e 11 anos, na rede pública e privada, a fim de acelerar a vacinação. No Brasil, só 3,5% das crianças de 5 a 11 anos receberam a primeira dose.

João Gabriel, de 5 anos, era um dos pacientes internados na capital mineira. A avó Joana D’arc dos Reis Alves viajou de Manhuaçu, a 280 quilômetros de Belo Horizonte, em busca de atendimento. "Ele está com febre alta, de 38 graus, três vezes ao dia, e acreditamos ser algo respiratório, por causa dos sintomas."

O menino, segundo a família, tem outras comorbidades e conseguiu uma vaga no Hospital Infantil João Paulo II – todos os leitos da unidade estão ocupados e 40% dos casos são de covid. "Não temos nem capacidade física para aumento no momento", afirma Fabrício Giarola, diretor do Complexo Hospitalar de Urgência da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. 

Outras doenças respiratórias também sobrecarregam os estabelecimentos. "O surto foi especialmente de influenza e bronquiolite em bebês de até 2 anos, devido ao início de uma ressocialização, e, portanto, o contato com novos vírus", afirmou o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti Vitor. Ele prevê que casos de doenças respiratórias infantis comecem a cair em meados de fevereiro. "Nossa expectativa é terminar fevereiro com o índice de internações mais baixo."

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