Hospital da Uerj pode fechar portas por falta de dinheiro

Maior hospital universitário do Estado do Rio de Janeiro em número de leitos, o Pedro Ernesto está prestes a fechar as portas por falta de dinheiro. A unidade, que atende 30 mil pessoas em seu ambulatório todo mês, não tem sequer comida para os pacientes - eles são orientados a trazer mantimentos de casa. As dívidas com os fornecedores somam R$ 4 milhões (R$ 1 milhão de 2005 e R$ 3 milhões deste ano). O diretor Carlos Eduardo Coelho enviou uma série de ofícios ao governo do Estado pedindo socorro. "Se os repasses não forem feitos, fechamos em quinze dias", afirmou. A Secretaria de Finanças informou que até ontem não havia chegado a ordem de pagamento para realizá-los. Mas garantiu que a questão é prioritária. Localizado em Vila Isabel, na zona norte, o Pedro Ernesto é o único hospital do Rio vinculado a uma universidade estadual, a Uerj. Não faz atendimento de emergência, mas é bastante procurado por moradores de todo o Estado, que chegam em ônibus das prefeituras de seus municípios. O medo de calote entre os fornecedores é tamanho que, nas oito licitações abertas em agosto, não apareceu candidato. Sem receber há meses, fornecedores deixaram de entregar kits para exames e filmes para raio X. Na despensa, faltam alimentos. O leite foi substituído por mate e suco. O desabastecimento afeta ainda os doentes que se alimentam por sonda - justamente os que se encontram no centro de tratamento intensivo (CTI), em estado mais grave. Se não forem repostos, os suplementos acabam no fim do mês. Café na Padaria - Internado há um mês, o vendedor Luiz de Andrade Junior, de 60 anos, que ocupa um dos 650 leitos da unidade, contou que paga ele mesmo pelo pãozinho que come de manhã, na padaria vizinha ao hospital. "Minha mulher traz banana e leite para mim. É assim ou morro de fome", disse Andrade, que está com cirurgia cardíaca marcada. "É esse o tratamento que o Estado dá para quem passou a vida toda pagando impostos". A equipe de nutricionistas tem de refazer os cardápios constantemente para adaptá-los às carências . "É muito frustrante saber que o paciente está sendo prejudicado", diz a chefe do setor, Denise Dutra Weiner. "Muitos são de baixa renda e já chegam subnutridos. Quem precisa de dieta especial não está recebendo." O deputado estadual Paulo Pinheiro (PT), presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, decidiu levar o caso ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde.

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