Hospital das Clínicas divulga perfil do motociclista acidentado

De 255 pessoas, 84 foram internadas e, destas, 54% tiveram fratura exposta; porcentual de mulheres dobrou

estadão.com.br

22 Junho 2010 | 16h35

SÃO PAULO - O Instituto de Ortopedia (IOT) do Hospital das Cínicas da Faculdade de Medicina da USP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, traçou um perfil dos motociclistas acidentados que foram internados na unidade. Durante seis meses (de 12/5 a 12/11/09), dos 255 acidentados de moto atendidos, 84 precisaram de internação e, destes, 54% tiveram fratura exposta. A média foi de 18 dias de internação, sendo que 14% dos pacientes, após a alta médica, precisaram ser reinternados.

 

De acordo com o coordenador do estudo, o ortopedista Marcelo Rosa, além da ocupação de diversos leitos, a internação dos 84 pacientes representou um custo de, aproximadamente, R$ 3 milhões à instituição. Ele destaca que, apesar de os homens ainda serem maioria, o porcentual de mulheres internadas chegou a 10%. "É o dobro do verificado em estudos anteriores", aponta.

 

Outra constatação da pesquisa foi que 64% dos pacientes tinham vínculo empregatício. Segundo a assistente social do IOT, Kátia Campos Anjos, 67% dos pacientes disseram usar a moto apenas como meio de transporte, e não como ferramenta de trabalho.

 

"O acidente com motocicleta gera grandes danos para o acidentado, seus familiares e para toda a sociedade. Além das vultosas despesas financeiras para tratamento e reabilitação, os acidentes trazem conflitos emocionais para todos os envolvidos, inclusive com mudanças drásticas nas condições de uma vida ativa para uma condição de dependência", relata.

 

Dos 84 motociclistas internados, avaliados na pesquisa, 45% afirmaram nunca terem sofrido acidente de trânsito. Para o ortopedista Marcelo Rosa, o fato de, anteriormente, nunca terem se acidentado faz com que essas pessoas se sintam onipotentes.

 

A maioria dos acidentes ocorreu em colisões com carro e mais de 70% dos acidentados disseram conhecer as leis de trânsito e não terem sido imprudentes. Sessenta e seis por cento dos acidentes aconteceram no horário comercial e 71% dos envolvidos são jovens no auge da produtividade.

 

Dos pacientes acompanhados, 12% tiveram lesões neurológicas periféricas. "Além de gerar um alto custo para o Estado, muitos desses pacientes terão consequências para o resto da vida", destaca o doutor Marcelo Rosa, acrescentando que os acidentes de moto já devem ser vistos como uma epidemia. "É necessária uma ampla mobilização, envolvendo a sociedade civil, autoridades e, inclusive, as fabricantes de motocicletas", completa.

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