Hospital das Clínicas inaugura o 1º centro de reimplantes 24 horas do País

Equipe de 31 médicos vai atender amputações, fraturas expostas e lesões de nervos periféricos

estadão.com.br

27 de agosto de 2010 | 19h15

SÃO PAULO - O Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, acaba de entregar seu primeiro Centro de Microcirurgia Reconstrutiva e Cirurgia de Mão, o primeiro do País a ter equipes especializadas de plantão, atendendo 24 horas por dia, de segunda a sexta-feira.

A equipe do Grupo de Mão do HC, que contava com seis médicos, ganhou um reforço de mais 25 profissionais especializados - dez médicos, cinco terapeutas ocupacionais, cinco auxiliares de enfermagem, três enfermeiras e dois assistentes sociais.

Uma sala foi inteiramente equipada para atender aos casos de reimplantes, amputações, fraturas expostas graves associadas à perda do revestimento cutâneo e lesões de nervos periféricos.

"O novo centro traz à população avanços da medicina que tornam possível a recuperação do membro, evitando a amputação, e amplia a capacidade de realização de reimplantes", afirma José Manoel de Camargo Teixeira, superintendente do HC. Atualmente, estão sendo realizadas cerca de 70 microcirurgias por mês.

Além de possibilitar a ampliação de atendimentos, o centro facilita a recuperação dos pacientes e gera economia à instituição. Segundo o ortopedista e chefe do grupo de mão do HC, Rames Mattar Júnior, como o atendimento primário é feito com agilidade e por especialistas - levando o paciente imediatamente à operação -, o tempo de internação tem sido muito menor. "Isso diminui sequelas e quadros infecciosos".

Ele destaca que o Brasil vive, hoje, uma epidemia de traumas graves, causados por diversos motivos, como acidentes de trabalho, domésticos e de trânsito.

Um levantamento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC mostrou que, somente no segundo semestre de 2009, deram entrada no Pronto-Socorro 255 acidentados de moto, dos quais 84 precisaram de internação (média de 18 dias). Desses, 54% tiveram fraturas expostas e 12%, lesões neurológicas periféricas.

"São casos que precisam de atendimento emergencial eficiente. O Brasil tem um programa de transplantes, mas não de reimplantes. Estamos dando o primeiro passo nesse sentido", aponta Mattar Júnior.

O HC está apoiando, ainda, a formação de novos especialistas. "Criamos um Centro de Educação Médica, com um laboratório de microcirurgias, onde estamos formando profissionais para o Brasil e para outros países", completa o ortopedista.

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