Governo SP
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Hospital de campanha da capital receberá pacientes com covid-19 de Campinas

Região do interior do Estado, na fase vermelha do plano de controle da pandemia, está com mais de 80% de ocupação dos leitos de UTI

Bruno Ribeiro, Marina Aragão e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2020 | 13h19

O Hospital de Campanha do Ginásio do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, passará a receber pacientes infectados pelo coronavírus vindos das cidades da região de Campinas, a 97 quilômetros da capital, em uma tentativa de evitar o colapso do sistema de saúde daquela região do Estado, que está na fase vermelha do Plano São Paulo, onde a epidemia de covid-19 ainda está em aceleração. 

A mudança de perfil do hospital se deu “para permitir um atendimento correto e sem aumento de custos”, segundo disse o governador João Doria (PSDB), ao anunciar a medida. Antes, o centro médico recebia pacientes da Grande São Paulo.

O Hospital de Campanha do Ibirapuera tem 28 leitos chamados de “estabilização”, que são vagas com equipamentos como respiradores e monitores, como nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Mas as principais vagas, 240 no total, são para internação em leitos de enfermaria.

O procedimento de trazer pacientes do interior paulista para a capital já vinha ocorrendo nos últimos dias porque São Paulo montou uma estrutura grande para lidar com o aumento dos casos na cidade mas, com a diminuição nos últimos dias, passou a existir mais leitos disponíveis.

A Central de Regulação de Oferta dos Serviços de Saúde (Cross), órgão do governo do Estado que controla a oferta de vagas de internação para direcionar a demanda aos locais adequados, já trabalhava com a previsão de que essa situação poderia ocorrer. Uma transferência acima dos 40 quilômetros de distância costumam ser raras, mas como a viagem de Campinas para São Paulo é rápida, no momento as autoridades acharam que é a melhor solução.

Há quase duas semanas, Jonas Donizette (PSB), prefeito de Campinas, informou ter enviado um pedido ao governo estadual para que as cidades da região pudessem absorver parte dos pacientes da covid-19 que moram em municípios do entorno de Campinas. O objetivo seria evitar que o envio desses pacientes para hospitais estaduais em Campinas, como o Hospital das Clínicas e o Ambulatório Médico de Especialidades, causasse sobrecarga na rede hospitalar da cidade, que é polo regional.

Em outro período da pandemia, Campinas já havia socorrido a Grande São Paulo quando a quantidade de casos no entorno da Capital era grande. “Lá atrás vocês lembram quando São Paulo passou apuros, Campinas recebeu pacientes de Ferraz de Vasconcelos e de Franco da Rocha, cidades da Região Metropolitana. Nós estamos pedindo agora uma via de mão dupla”, disse na ocasião.

Campinas já tem um hospital de campanha, também composto majoritariamente por leitos de enfermaria, gerenciado pela prefeitura local. Segundo o governo do Estado, a região tem uma taxa de ocupação de 58.5% dos leitos de enfermaria e de 80,3% dos leitos de UTI.

O total de mortes pela covid-19 no Estado de São Paulo foi para 16.788 nesta quarta-feira, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Nas últimas 24 horas, mais 313 mortes de pessoas com a doença foram confirmadas pelas autoridades de saúde. Com os números desta quarta, o total de infectados pela doença chegou a 341.365 pessoas. Dessa forma, mais 8.657 pacientes receberam o diagnóstico positivo para a doença. A taxa de isolamento social no Estado na terça-feira foi de 45%

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