Prefeitura de Campinas
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Hospital de referência da Unicamp já tem 80% de ocupação

Prefeito resistiu ao encaminhamento de pacientes da região metropolitana e prorrogou quarentena

José Maria Tomazela e Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2020 | 05h00

Em Campinas, maior cidade do interior paulista, a cerca de 100 km da capital, a sobrecarga na rede hospitalar é um risco. Opção para envio de pacientes da Grande São Paulo, o município tem estrutura de referência para atendimento de casos da covid-19, abriga unidades para casos de alta complexidade, como o Hospital das Clínicas da Unicamp, e grandes centros de atendimento, como o Hospital Municipal Mário Gatti e o Celso Pierro, da PUC-Campinas. 

No HC da Unicamp, por exemplo, havia 19 leitos de UTI para infectados com o novo coronavírus semana passada, com taxa de ocupação na faixa dos 50%. Mas esse é um cenário mutante, alerta o médico Manoel Bértolo, diretor executivo da área de Saúde do complexo. Serão abertos 18 novos leitos de UTI, com recursos liberados pela União, em parceria com o Estado. “A gente tem um risco, com o frio, porque não sabemos o que vai acontecer.”

Campinas recebeu quatro dos 15 primeiros pacientes encaminhados ao interior por falta de leitos na Grande São Paulo. Internados no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), inaugurado antes do prazo em abril para ser exclusivo para covid-19, a unidade estava na sexta com 80% de ocupação dos leitos. Ao todo, são 659 vagas para UTI preparadas para casos de covid-19 (leitos ativos ou a serem implementados) em toda a região. Quantidade considerada subdimensionada para atendimento das 41 cidades e quase 6 milhões de habitantes, englobados na divisão administrativa regionalizada de saúde. 

O risco de sobrecarga na rede local fez o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, resistir ao encaminhamento de pacientes de São Paulo, para não prejudicar os atendimentos regionais. Ainda na sexta, ele prorrogou medidas de restrição na cidade até o dia 31 de maio e determinou bloqueio de vias para reduzir a circulação de pessoas.

Longas internações

Um dos pontos que mais preocupam em relação aos leitos é o tempo de uso – uma pessoa com coronavírus ocupa vaga por três semanas ou mais. Uma técnica de enfermagem que ficou 29 dias internada em uma UTI da cidade, com covid-19, recebeu alta semana passada. Ao deixar o Hospital Ouro Verde, em Campinas, onde também trabalha, Nicole Iara Santos Mota, de 24 anos, foi homenageada por colegas e parentes.

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