Hospital de Rio Preto inaugura UTI, mas tem macas nos corredores

Para diretor-executivo da mantenedora da instituição, superlotação é causada pelo atendimento de moradores em mais de 170 cidades

Chico Siqueira, Especial para O Estado

04 Julho 2014 | 18h01

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Ao mesmo tempo em que inaugura modernas instalações de R$ 6,3 milhões - entre elas uma UTI de 700 metros quadrados - o Hospital de Base de São José do Rio Preto é obrigado a manter em seus corredores dezenas de macas para internação de pacientes de urgência e emergência por falta de leitos. 

Além da UTI com 17 leitos, que custou R$ 2,8 milhões, o HB recebeu nesta sexta-feira, 4, quatro novas alas e equipamentos paras as especialidades de endoscopia, litotripsia, oftalmologia e para transplantes de medulas por células-tronco. Com 780 leitos, o hospital é considerado referência nacional em transplantes, traumas e cirurgias cardíacas pediátricas, mas não consegue retirar as macas dos corredores, onde pacientes são atendidos em meio a acompanhantes, outros pacientes e profissionais que trabalham no hospital.

O diretor-executivo da Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), Horácio José Ramalho, explica que a superlotação é causada pelo atendimento de pacientes moradores em mais de 170 pequenas cidades, que não possuem os serviços de complexidade mantidos pelo hospital. Mas, segundo ele, o aumento do número de leitos no HB não resolveria a superlotação, porque sempre haverá demanda e a falta de leitos ocorre em todas as especialidades, incluindo a UTI. A fundação é a mantenedora do Hospital de Base. 

"Nós somos referência para dois milhões de habitantes, que vêm dessas cidades para cá em busca de tratamento", afirmou. De acordo com Ramalho a superlotação na emergência é um problema antigo do hospital, que vem diminuindo no decorrer dos anos, mas ainda não tem previsão para acabar. "O paciente chega e recebe os primeiros atendimentos, depois fica na maca à espera de leitos para ser removido para o quarto ou UTI e receber os atendimentos posteriores, ou mesmo ficar em observação", explica. "O problema é que enquanto ele fica esse tempo todo à espera ou em tratamento, toma lugar de outros casos mais graves", diz.

Possibilidade. De acordo com Ramalho, a saída seria descentralizar parte do atendimento para as Santas Casas menores, que mantêm leitos ociosos. A solução é estudada entre os hospitais escolas e a Secretaria de Saúde. "Nessas cidades há leitos sobrando - as pesquisas dizem que sobram 17 mil leitos nas Santas Casas do interior, que ocupam apenas 35% dos seus leitos", afirmou. 

A ideia, segundo Ramalho, é transferir os doentes de volta para suas cidades depois que eles receberem os cuidados mais urgentes. "Ele recebe o primeiro atendimento no HB e ao invés de aguardar os outros procedimentos aqui, volta para sua cidade ou para uma Santa Casa vizinha, onde pode receber os outros cuidados, abrindo assim novas vagas para casos mais graves, até quando tiver de retornar novamente ao hospital", diz.

No entanto, para isso, o governo teria pactuar os valores da tabela SUS com os municípios e Santas Casas e encontrar com os hospitais uma maneira de contratar mais profissionais para dar a assistência necessária aos doentes. 

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